Investigação detalha suposto esquema de fraudes em contratos e desvio de R$ 270 milhões na Prefeitura de Cabedelo
Foto: Reprodução

Uma investigação do Ministério Público da Paraíba, por meio do Gaeco, e da Polícia Federal revelou detalhes de um suposto esquema de fraudes em licitações, contratos direcionados e desvio de recursos públicos envolvendo a Prefeitura de Cabedelo e a empresa Lemon Terceirização e Serviços Ltda.. As informações embasaram a operação que afastou o ex-prefeito interino Edvaldo Neto do cargo.

Segundo os investigadores, contratos milionários teriam sido mantidos por meio de licitações repetidas, sucessivos aditivos e concentração de recursos públicos em um mesmo grupo empresarial. O esquema, conforme o documento obtido pela Rede Paraíba, utilizava empresas terceirizadas para empregar pessoas ligadas à facção criminosa Comando Vermelho dentro da administração pública. Parte dos recursos pagos pelos contratos retornaria aos líderes da organização e agentes políticos em forma de propina.

Um dos contratos analisados foi firmado em 2020, após licitação realizada em 2019. De acordo com a investigação, o acordo permaneceu vigente até janeiro de 2026 após 11 aditivos consecutivos. O valor inicial, de R$ 14,9 milhões, saltou para R$ 28,7 milhões — um aumento de mais de 93%, acima da inflação registrada no período.

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Outro contrato investigado, firmado em 2024 para prestação de serviços terceirizados em unidades de saúde, teria sido renovado após a desclassificação de uma empresa concorrente da Lemon em um pregão eletrônico. Segundo o MP e a PF, haveria indícios de direcionamento para garantir a permanência da empresa nos contratos públicos municipais.

As investigações também apontam a existência de uma suposta “folha paralela” usada para beneficiar integrantes da facção criminosa conhecida como “Tropa do Amigão”, braço do Comando Vermelho na Paraíba. Em depoimento, Ariadna Thalia afirmou que pessoas ligadas à organização recebiam salários inflados para gerar recursos destinados ao pagamento de integrantes do grupo criminoso.

Ariadna também relatou à investigação a existência de supostos acordos políticos envolvendo ex-gestores municipais e integrantes da facção. As declarações foram utilizadas pelo desembargador Ricardo Vital de Almeida como parte da fundamentação para autorizar buscas e afastamentos cautelares.

O atual prefeito interino, José Pereira, informou que a prefeitura iniciou o processo de rompimento gradual do contrato com a Lemon para evitar interrupção de serviços públicos essenciais.

Os citados nas investigações negam irregularidades e envolvimento com organizações criminosas.

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