Hugo Motta defende fim da escala 6x1 em artigo e classifica medida como “reforma da vida das pessoas”
Hugo Motta/ Foto: Reprodução

O presidente da Câmara dos Deputados, o paraibano Hugo Motta, publicou neste fim de semana um artigo de opinião na Folha de S.Paulo em que defende a aprovação do fim da escala de trabalho 6×1 e detalha o processo de construção da proposta. No texto, o parlamentar classifica a mudança como uma transformação histórica nas relações de trabalho e afirma que a medida representa uma “reforma da vida das pessoas”.

Segundo Motta, mais de 15 milhões de brasileiros trabalham atualmente sob o regime de seis dias consecutivos de trabalho para apenas um dia de descanso. Ele destaca que a realidade afeta especialmente as mulheres, que acumulam múltiplas jornadas e são responsáveis pela chefia de mais da metade dos lares do país.

O presidente da Câmara argumenta que a discussão vai além da carga horária e envolve o direito ao tempo de convivência familiar, lazer, estudos, cuidados com a saúde e descanso. Para ele, a revisão da jornada de trabalho retoma um debate que não era revisitado desde a promulgação da Constituição Federal de 1988.

De acordo com o parlamentar, mais de 3,2 mil pessoas participaram das discussões que antecederam a proposta, entre trabalhadores, especialistas, representantes da sociedade civil e do setor produtivo. O processo incluiu audiências públicas, reuniões e debates realizados nas cinco regiões do país.

Motta afirma que o principal desafio foi encontrar equilíbrio entre a proteção ao trabalhador e a preservação da atividade econômica, especialmente para micro e pequenas empresas, responsáveis pela maior parte dos empregos formais no Brasil.

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A proposta aprovada tem como base três pilares: redução da jornada para 40 horas semanais, garantia de dois dias de descanso e manutenção integral dos salários. Segundo o presidente da Câmara, a implementação ocorrerá de forma gradual para proporcionar previsibilidade a empresas, trabalhadores e consumidores.

No artigo, Hugo Motta também rebate críticas relacionadas aos possíveis impactos econômicos da medida. Ele argumenta que o Brasil já figura entre os países com maior carga horária de trabalho e, mesmo assim, enfrenta estagnação da produtividade. Para o deputado, a experiência de empresas que adotaram jornadas reduzidas demonstra ganhos de produtividade, melhoria do ambiente de trabalho e redução da rotatividade.

O parlamentar ainda relaciona a redução da jornada ao enfrentamento do adoecimento físico e mental da população trabalhadora. Na avaliação dele, a medida pode contribuir para reduzir impactos sobre famílias, empresas, Previdência Social e o sistema público de saúde.

Ao encerrar o artigo, Motta compara a proposta a outros avanços históricos das relações trabalhistas e sociais no Brasil. Segundo ele, conquistas como a Carteira de Trabalho e o 13º salário também enfrentaram resistência antes de serem incorporadas à realidade do país.

“Já nos foi ensinado que a grandeza de uma nação não se mede apenas pelas riquezas que produz, mas pela forma como cuida daqueles que a produzem. O que entregamos ao país é mais do que uma mudança nas relações de trabalho. É uma reforma para a vida das pessoas”, concluiu.

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