Gilberto Kassab não veio a João Pessoa para turismo — embora o cenário de Cabo Branco ajude qualquer articulação a descer mais leve. O presidente nacional do PSD fez o que sabe fazer melhor: chegou, ouviu, mediu forças e saiu deixando o recado dado. E o recado, para quem ainda tinha dúvida, é simples: o PSD já escolheu onde quer estar em 2026 — ao lado de Cícero Lucena.
A visita foi rápida, quase cirúrgica. Um café da manhã no elegante Hotel Ba’ra, uma mesa bem montada e nomes cuidadosamente escolhidos: Pedro Cunha Lima, anfitrião e operador local do partido; o próprio Cícero, que cada vez mais se comporta como candidato em campo; e dois “convidados especiais” que, na prática, vieram como reforço de elenco — Mersinho Lucena e Wellington Roberto.
Não é difícil entender o roteiro. Kassab não atravessa estados à toa. Veio para “abençoar” a aliança e, de quebra, cobrar a fatura — porque no PSD, apoio nunca é de graça. E a contrapartida já começa a aparecer: dois deputados federais prestes a desembarcar no partido na próxima janela. Nada mal para quem quer musculatura em Brasília.
Mas o cardápio não parou por aí. Na sobremesa, entrou o prato mais cobiçado: a vaga de vice na chapa de Cícero. E aí o jogo fica ainda mais interessante. Pedro Cunha Lima, que já disputou o governo e não pretende sair de cena, aparece como opção natural. Do outro lado, Fábio Ramalho surge como alternativa viável, pronto para trocar de legenda e, quem sabe, de patamar político.
Tudo muito bem calculado. Tudo muito Kassab.

O curioso é observar como o PSD, que já foi visto como coadjuvante no estado, agora senta à mesa principal — e não apenas como convidado, mas como sócio do projeto. Pedro, com a bênção nacional, ganha protagonismo e passa a ditar parte do ritmo desse tabuleiro.
E Cícero? Cícero vai consolidando, passo a passo, sua pré-candidatura ao Palácio dos Despachos do Governo. Cercado, articulado e, principalmente, respaldado.
No fim das contas, Kassab fez em poucas horas o que muitos tentam há meses: organizou o jogo, distribuiu cartas e deixou claro quem está dentro — e quem pode ficar assistindo de fora.
Depois do café, pegou o avião e seguiu para Recife-PE para encontrar a governadora Raquel Lyra (PSD). Missão cumprida. Porque, quando Kassab aparece, dificilmente é só para tomar café.
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