Um gesto simples, mas carregado de simbolismo, foi suficiente para movimentar os bastidores da política paraibana. O cumprimento público entre o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), e o ex-governador Ricardo Coutinho (PT), registrado neste domingo (19), na Baía da Traição, no Litoral Norte do estado, rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais.
A imagem chama atenção sobretudo pelo histórico de intensos embates entre os dois líderes, que, ao longo das últimas décadas, estiveram em campos opostos e protagonizaram disputas marcantes, além de sucessivos reposicionamentos estratégicos no cenário político estadual.
O encontro, descrito como cordial, ultrapassa o caráter meramente protocolar e passa a ser interpretado como um possível sinal de distensão. Em um ambiente político historicamente marcado por alianças improváveis e mudanças de rota, o gesto levanta questionamentos sobre a eventual abertura de diálogo entre duas figuras centrais da política paraibana.
A própria trajetória política do estado reforça esse tipo de leitura. Episódios envolvendo lideranças como Cássio Cunha Lima e José Maranhão evidenciam que adversários históricos já estiveram em lados opostos e, posteriormente, construíram alianças que redesenharam o equilíbrio de forças na Paraíba. Um dos rompimentos mais emblemáticos, inclusive, envolveu Ronaldo Cunha Lima, no inesquecível aniversário do Clube Campestre, um episódio que marcou época na política local.
O histórico recente também registra composições consideradas improváveis, como a aliança entre Ricardo Coutinho, Cássio Cunha Lima e Efraim Morais nas eleições de 2010, que resultou na vitória de Coutinho sobre José Maranhão. Anos depois, em 2014, o próprio Coutinho voltou a se alinhar a Maranhão no segundo turno, desta vez contra Cássio, consolidando sua reeleição.
Diante desse histórico, o registro em Baía da Traição deixa de ser apenas um flagrante pontual e passa a ser visto como mais um movimento dentro de um cenário político dinâmico, onde reaproximações e rearranjos fazem parte do jogo. Na Paraíba, a máxima de que “na política, até boi pode voar” segue encontrando respaldo na prática.
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