Adversários nas urnas, aliados à mesa: jantar de Hugo Motta expõe a face pragmática da política paraibana em Brasília

Brasília tem dessas coisas. Enquanto na Paraíba os discursos ganham tom de disputa, as redes sociais fervem e os bastidores antecipam uma das eleições estaduais mais aguardadas dos últimos anos, a Capital Federal oferece um cenário bem diferente. Ali, entre um cumprimento cordial e uma conversa reservada, a política revela uma de suas faces mais conhecidas: a do diálogo entre adversários.

Foi exatamente esse ambiente que marcou o jantar oferecido pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, a prefeitos paraibanos na noite desta segunda-feira (18), em Brasília. O encontro reuniu lideranças de diferentes correntes políticas e produziu imagens que contrastam com o clima de pré-campanha que já toma conta da Paraíba.

As lentes dos jornalistas Bruno Lira, Felipe França, Napoleão Soares, Rudney Araújo e Bruno Pereira, entre outros colegas que estão na Capital Federal, registraram abraços, sorrisos e conversas descontraídas entre personagens que, nos palanques e nas entrevistas, costumam ocupar lados opostos do tabuleiro político. Cenas que, para o eleitor mais atento, podem parecer contraditórias, mas que ajudam a explicar a complexidade das articulações que movem o poder em Brasília.

Entre os registros mais comentados, estavam as conversas envolvendo João Azevêdo, Nabor Wanderley, o prefeito da Capital, Léo Bezerra, e o deputado federal Mersinho Lucena, um dos principais articuladores do projeto político ligado ao prefeito Cícero Lucena para 2026.

Também chamaram atenção os cumprimentos entre Aguinaldo Ribeiro e Mersinho Lucena, antigos companheiros partidários, além dos gestos cordiais entre Aguinaldo, Léo Bezerra e o vice-governador Lucas Ribeiro. Nada de discursos inflamados. Nada de provocações públicas. Apenas política em seu estado mais pragmático.

A cena reforça uma máxima antiga dos corredores do Congresso Nacional: os políticos disputam votos nos estados, mas negociam e se confraternizam em Brasília.

A lógica é simples. Na base eleitoral, a disputa exige diferenciação, críticas aos adversários e defesa firme de projetos políticos. É o espaço onde se constroem narrativas e se consolidam lideranças. Já na Capital Federal, a realidade impõe outra dinâmica. Recursos, emendas, projetos e interesses administrativos dependem de diálogo permanente, independentemente das divergências ideológicas ou eleitorais.

Por isso, não é raro ver rivais dividindo a mesma mesa, trocando cumprimentos ou construindo consensos temporários. O que para muitos parece incoerência, para os profissionais da política costuma ser chamado de articulação.

A poucos meses da intensificação da corrida eleitoral de 2026, as imagens do jantar promovido por Hugo Motta servem como lembrete de que a política não se resume aos embates públicos. Entre discursos e alianças, críticas e apertos de mão, Brasília continua sendo o palco onde adversários aprendem a conviver — e, muitas vezes, a negociar.

*Por Ângelo Medeiros

 

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