Delegado Braz Morroni
Delegado Braz Morroni

Documentos da investigação que embasaram a Operação Perfidus apontam que o delegado da Polícia Civil da Paraíba, Braz Morroni, preso sob suspeita de integrar uma organização criminosa envolvida no desvio e comercialização ilegal de drogas apreendidas, teria recebido valores oriundos do tráfico de entorpecentes dentro de uma unidade policial.

As informações constam na decisão judicial que autorizou as prisões e os mandados de busca e apreensão cumpridos na última terça-feira (2). A operação resultou na prisão de nove pessoas, entre policiais civis e integrantes de uma facção criminosa.

Segundo a investigação, os agentes Everton Aires e Eduardo Jorge Ferreira, conhecido como “Mão Branca”, também presos na operação, teriam discutido a possibilidade de reter parte dos recursos obtidos com uma negociação ilegal de drogas que, conforme a apuração, seria destinada ao delegado.

De acordo com o documento, em dezembro de 2025, Everton teria manifestado insatisfação com cobranças relacionadas à comercialização de entorpecentes e planejado não repassar integralmente um valor de R$ 18 mil obtido em uma dessas transações. A Justiça destaca que a intenção seria utilizar a quantia para reinvestimento nas atividades criminosas, sem entregar a parcela que caberia ao superior hierárquico apontado pela investigação.

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Ainda conforme a decisão, semanas depois, Braz Morroni teria comparecido pessoalmente à delegacia para receber sua suposta parte dos lucros provenientes do esquema. A apuração também menciona movimentações financeiras realizadas por integrantes do grupo para contas ligadas ao delegado e mensagens interceptadas que indicariam a existência de divisão dos ganhos obtidos com o tráfico.

Os investigadores sustentam que o delegado exerceria papel de liderança dentro da organização, recebendo repasses financeiros, cobrando valores pendentes relacionados à venda de drogas e utilizando sua posição funcional para garantir proteção ao grupo.

A defesa de Braz Morroni contesta as acusações e afirma que a decisão judicial foi baseada em relatórios policiais sustentados por conversas entre terceiros. Segundo os advogados, não existe diálogo que vincule diretamente o delegado aos fatos investigados. A defesa também argumenta que houve falha na individualização das condutas e ressalta que o delegado ainda não teve oportunidade de apresentar sua versão dos acontecimentos.

Já os advogados que representam os agentes presos afirmam que seus clientes negam qualquer participação nas irregularidades apontadas e destacam que as prisões têm caráter temporário, servindo exclusivamente para auxiliar o andamento das investigações, sem representar reconhecimento de culpa.

 

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