A intensa agenda do ex-prefeito de Patos e pré-candidato ao Senado Federal, Nabor Wanderley (Republicanos), ao lado de prefeitos e lideranças políticas em diversas regiões da Paraíba tem despertado interpretações sobre uma possível disputa interna com o ex-governador João Azevêdo (PSB), também pré-candidato ao Senado pela chapa governista. Nos bastidores, porém, a leitura predominante é outra.

Segundo fontes ligadas à base aliada, a estratégia adotada por Nabor não representa um conflito com João Azevêdo em torno do chamado “voto cruzado”, mas sim uma movimentação considerada necessária para ampliar sua base de apoio político e eleitoral, fortalecendo as condições de disputar a segunda vaga ao Senado.

O contexto ajuda a explicar a ofensiva. João Azevêdo lidera, há vários meses, os principais levantamentos de intenção de voto para o Senado, impulsionado pelo recall de dois mandatos como governador e pelo reconhecimento das obras e ações executadas durante sua gestão. Na outra ponta da disputa, o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que busca a reeleição, também aparece de forma consistente sempre entre os primeiros colocados, na segunda posição.

Diante desse cenário, Nabor passou a intensificar o diálogo com prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e outras lideranças municipais. A estratégia tem refletido nos números das pesquisas.

Levantamento da TDL Pesquisa & Marketing, realizado entre os dias 4 e 7 de julho, com 1.200 entrevistas em municípios de todas as regiões da Paraíba e registrado no TRE-PB sob o nº PB-02357/2026, aponta Nabor com 23% das intenções de voto, ocupando a terceira colocação após um período em que figurava nas últimas posições.

O crescimento também acompanha os resultados divulgados anteriormente pelo Instituto SETA. Em maio, Nabor aparecia com 18,9% na soma dos dois votos para o Senado. Em junho, alcançou 21,6%, registrando alta de 2,7 pontos percentuais e mantendo trajetória ascendente.

Nos bastidores da base governista, a avaliação é de que a estratégia vem produzindo resultados concretos. A ampliação da interlocução com gestores municipais é vista como um movimento complementar ao desempenho de João Azevêdo, que já possui elevado índice de conhecimento junto ao eleitorado.

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De acordo com interlocutores do grupo governista, não há resistência à atuação de Nabor. Pelo contrário. A movimentação é interpretada como parte de uma construção coletiva para ampliar a competitividade da chapa majoritária e aumentar as chances de eleger o governador Lucas Ribeiro (PP), além dos dois candidatos ao Senado.

A expectativa entre integrantes da base é que, mantido o ritmo de crescimento de Nabor e a liderança consolidada de João Azevêdo, a chapa governista possa alcançar um feito considerado histórico: eleger, simultaneamente, o governador e os dois senadores apoiados pelo grupo, algo que, segundo aliados, não ocorre há 37 anos na política paraibana.

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