Pré-candidato do PL e sobrinho da reitora da UFPB, Segundo Domiciano transita entre a extrema direita, o bolsonarismo, a esquerda e a comunidade acadêmica sem qualquer constrangimento

Por Zé Fuxico*

“Eu não quero acreditar”, como diria um velho repórter amigo, mas, se existe uma habilidade indispensável para quem deseja sobreviver na política moderna, ela atende pelo nome de flexibilidade. E poucos parecem compreender tão bem essa arte quanto o ex-prefeito de São José do Sabugi, Segundo Domiciano.

Filiado ao Partido Liberal (PL), legenda que se tornou a principal trincheira do bolsonarismo e da extrema-direita no Brasil, Segundo tem intensificado sua agenda política como pré-candidato a deputado estadual. Nas últimas semanas, foi visto em eventos, reuniões e encontros ao lado do senador Efraim Filho, principal nome da direita paraibana na corrida pelo Governo do Estado em 2026.

Tudo dentro do roteiro esperado para um político que pretende disputar votos no campo conservador.

O enredo começa a ficar mais interessante quando entra em cena um personagem fundamental da história: a reitora da Universidade Federal da Paraíba, Terezinha Domiciano. Sim, a principal autoridade da maior universidade pública do Estado é tia do pré-candidato bolsonarista.

E não estamos falando de um parentesco distante daqueles que aparecem apenas em árvore genealógica. Segundo é figura conhecida nos corredores da instituição e já foi visto acompanhando agendas ligadas à gestão universitária. Recentemente, inclusive, participou de audiência institucional ao lado da reitora com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, maior liderança do Partido dos Trabalhadores (PT) e principal adversário político do grupo bolsonarista.

A cena, convenhamos, merece registro.

De um lado, o presidente que derrotou Jair Bolsonaro nas urnas. Do outro, um filiado ao PL que busca espaço justamente entre os eleitores identificados com o ex-presidente. No meio de tudo isso, o laço familiar com a chefe da UFPB, instituição historicamente associada a setores progressistas e de esquerda.

Mas as coincidências não param por aí.

Fontes ouvidas pelo Portal Poder Paraíba relatam que o pré-candidato também tem mantido diálogo frequente com lideranças da universidade e interlocutores próximos ao PT. Nada que pareça atrapalhar sua agenda ao lado dos representantes da direita paraibana. Pelo contrário. O trânsito segue livre em todas as direções.

Talvez estejamos diante de uma inovação da engenharia política paraibana: o bolsonarista de gabinete petista, o conservador universitário ou, quem sabe, o candidato do PL que descobriu que voto não tem ideologia quando chega à urna.

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A verdade é que, enquanto alguns políticos escolhem um lado para defender, outros preferem colecionar fotografias. Uma com Lula aqui, outra com lideranças bolsonaristas ali, um café com petistas acolá e uma agenda estratégica dentro da universidade logo adiante.

No fim das contas, o eleitor será responsável por decifrar a equação.

O que ninguém pode negar é que o sobrenome Domiciano tem aberto portas importantes. Afinal, não é todo pré-candidato do PL que circula com tanta desenvoltura pelos ambientes acadêmicos da UFPB, tampouco participa de audiências institucionais ao lado da reitora da universidade e do presidente da República.

Na política, parentesco nunca garante voto. Mas ajuda bastante quando o assunto é acesso, visibilidade e boas fotografias para o álbum da pré-campanha.

E, pelo visto, Segundo Domiciano pretende aproveitar cada uma delas. Afinal, entre Lula e Bolsonaro, entre a universidade e o palanque, entre a esquerda e a direita, o importante continua sendo estar onde os votos estão. Ou, pelo menos, perto de quem pode ajudar a encontrá-los.

 



🤠*Zé Fuxico
é um repórter paraibano, sertanejo, irreverente e extremamente bem informado. Com seu olhar atento e ouvido sempre ligado nos bastidores do poder, ele transforma rumores em apuração e conversas de corredor em notícias de interesse público. Bem-humorado, perspicaz e popular, Zé Fuxico fala a linguagem do povo, mas não abre mão da responsabilidade jornalística. Seu lema é simples: “Onde tem conversa, tem notícia; onde tem notícia, Zé Fuxico já chegou.”