O cenário político atual em Santa Rita acende um alerta preocupante: a relação entre os Poderes Executivo e Legislativo parece caminhar para um confronto que a cidade já conhece — e cujas consequências recaem, inevitavelmente, sobre a população.

A Câmara Municipal dá sinais de que pode repetir um passado recente marcado por embates constantes com o Executivo, em uma dinâmica que ultrapassa o campo da divergência saudável e avança para o terreno da obstrução administrativa. O resultado disso não é abstrato: é concreto, direto e sentido no dia a dia do cidadão.

O que está em jogo não é apenas uma disputa política. São ações, serviços e investimentos essenciais que dependem de estabilidade institucional para acontecer. Quando o Legislativo atua para reduzir orçamentos, travar projetos ou limitar a capacidade de execução da gestão municipal, o impacto atinge áreas sensíveis como saúde, infraestrutura e assistência social.

É legítimo — e necessário — que a Câmara fiscalize, questione e proponha ajustes. Esse é o papel constitucional do parlamento. No entanto, há uma linha clara entre o controle responsável e a interferência desmedida. Quando vereadores passam a agir como gestores, invadindo atribuições do Executivo e condicionando votações a interesses circunstanciais, rompe-se o equilíbrio entre os Poderes.

A Constituição é cristalina ao estabelecer a separação de funções: cabe ao Executivo administrar e executar políticas públicas; ao Legislativo, legislar e fiscalizar. Quando esse limite é ultrapassado, cria-se um ambiente de insegurança jurídica, afastando fornecedores, travando contratos e comprometendo a continuidade de serviços essenciais.

Mais grave ainda é quando o orçamento — instrumento fundamental de planejamento e execução — se transforma em campo de batalha política. Alterações são prerrogativas do Legislativo, mas retirar do governo a capacidade de decidir onde aplicar recursos compromete a eficiência da gestão e pode configurar, na prática, uma forma de sabotagem administrativa.

O prefeito Jackson Alvino foi eleito pela maioria da população de Santa Rita. Isso, por si só, confere legitimidade para conduzir a administração municipal dentro dos parâmetros legais. Divergir faz parte da democracia. Impedir governar, não.

A insistência em um confronto permanente gera instabilidade, prejudica investimentos e, sobretudo, penaliza quem mais precisa dos serviços públicos. A cidade não pode ser refém de disputas políticas ou de interesses que não dialogam com o bem coletivo.

A população espera maturidade institucional. Espera que os vereadores exerçam seu papel com responsabilidade, sem transformar o parlamento em instrumento de pressão ou barganha. Santa Rita precisa avançar — e isso só será possível com harmonia entre os Poderes e respeito às suas competências.

Não se trata de blindar o Executivo, mas de garantir que ele possa trabalhar. Fiscalizar, sim. Sabotar, não.

Santa Rita já pagou caro por crises políticas semelhantes. Repetir esse roteiro é insistir no erro e prejudicar a população.

Por isso, fica o apelo que ecoa nas ruas da cidade: senhores vereadores, deixem Jackson Alvino governar.