Na imagem, os ex-prefeitos de Cabedelo, André Coutinho e Edvaldo Neto - Foto: Reprodução

Aos poucos, aliados de André Coutinho e Edvaldo Neto começam a se conformar com uma realidade que durante meses preferiram evitar: dificilmente os dois voltarão à Prefeitura de Cabedelo.

Durante algum tempo, criou-se a expectativa de que, a cada nova sexta-feira, uma decisão judicial pudesse mudar tudo.

Os recursos existem e é legítimo que as defesas continuem tentando.

O problema é que, segundo fontes do meio jurídico, hoje as chances de retorno são mínimas.

No caso de André Coutinho, o obstáculo é praticamente intransponível.

Ele teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral e, em 7 de abril de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral confirmou, por unanimidade, a cassação dele e da então vice-prefeita Camila Holanda.

Depois disso, houve eleição suplementar.

Esse ponto é decisivo.

Para André voltar, não seria suficiente conseguir uma decisão favorável em um recurso qualquer. Seria necessário desconstituir uma cassação confirmada pelo TSE e todos os efeitos produzidos depois dela, inclusive uma nova eleição.

Houve cassação.

Houve confirmação pelo TSE.

Houve eleição suplementar.

Houve uma nova chapa vencedora.

É possível continuar recorrendo? Claro.

Mas, no meio jurídico, praticamente ninguém trabalha hoje com a hipótese real de André reassumir a Prefeitura.

A situação de Edvaldo Neto é diferente, mas talvez seja ainda mais delicada.

Neto não foi cassado pela Justiça Eleitoral. Ele foi afastado do cargo por uma medida cautelar dentro de uma investigação criminal.

✅ Clique aqui para acompanhar o canal do Poder Paraíba no Whatsapp

E o problema para ele é exatamente este: as investigações não acabaram.

Ao contrário.

Segundo fontes que acompanham o caso, elas continuam avançando e novos elementos vêm sendo analisados.

Conversas extraídas de aparelhos celulares e outros materiais apreendidos estariam sendo utilizados para aprofundar suspeitas envolvendo pessoas próximas a Neto e possíveis relações com integrantes do crime organizado e facções que atuam em Cabedelo.

Naturalmente, investigação não é condenação e as responsabilidades ainda precisam ser definidas pela Justiça.

Mas, para quem tenta voltar ao cargo, esse cenário é péssimo.

A cautelar foi determinada justamente para impedir interferências durante as investigações. Se as apurações continuam e surgem novos elementos, fica ainda mais difícil convencer os tribunais de que desapareceram os motivos que justificaram o afastamento.

Por isso, até agora, os recursos apresentados não produziram o retorno de Neto.

A expectativa de que uma revisão periódica da cautelar pudesse automaticamente colocá-lo novamente na Prefeitura também não se confirmou.

Não existe regra segundo a qual, passados 90 dias, o prefeito necessariamente volta ao cargo.

A medida pode ser reavaliada e mantida.

E, diante do aprofundamento das investigações, fontes jurídicas consideram que o STJ não tem qualquer pressa em mudar esse quadro.

Há inclusive uma possibilidade mais grave no horizonte.

Dependendo do que as investigações produzirem e da avaliação das autoridades responsáveis pelo caso, não está descartada a hipótese de pedido ou decretação de prisão.

Isso não significa afirmar que Neto será preso. Significa apenas que, diante da natureza e do estágio das apurações, essa possibilidade jurídica não pode ser tratada como inexistente.

Enquanto aliados discutem quando ele poderia voltar, a situação processual pode caminhar justamente na direção contrária.

A tese de que o simples passar do tempo favorece Neto também é frágil.

No começo, ocorre exatamente o contrário: se permanecem os fundamentos da cautelar e as investigações continuam, o tempo tende a favorecer sua manutenção.

Somente depois de um período muito longo de afastamento começa a ganhar força o argumento de que uma medida provisória não pode se transformar, na prática, em uma cassação sem julgamento definitivo.

Mas esse argumento leva tempo para amadurecer.

O afastamento começou em abril de 2026.

Portanto, ainda existe um longo caminho antes que o excesso de duração se transforme no principal argumento da defesa.

É por isso que os dois casos são diferentes, mas levam hoje à mesma conclusão.

André Coutinho precisaria reconstruir juridicamente um mandato que foi cassado pelo TSE e substituído por uma nova eleição.

Edvaldo Neto precisa derrubar uma cautelar criminal justamente no momento em que as investigações continuam avançando e em que sua situação pode, inclusive, se tornar mais grave.

Um perdeu o mandato pela via eleitoral.

O outro continua juridicamente vinculado ao mandato, mas está impedido de exercê-lo por decisão judicial.

Nenhum dos dois possui hoje um caminho simples, automático ou previsível de volta à Prefeitura.

A esperança política pode continuar.

Os recursos também.

Mas, olhando friamente para os processos, a expectativa de retorno de André Coutinho e Edvaldo Neto está cada vez mais distante da realidade jurídica.