Eleitora de Nabor e de Veneziano, deputada Camila Toscano defendeu o voto cruzado nas eleições para o Senado Federal - Foto: Poder Paraíba

A deputada estadual Camila Toscano (MDB) afirmou, nesta terça-feira (21), que discorda da avaliação do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) de que o voto cruzado para o Senado Federal possa comprometer a candidatura do ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (PP), ao Governo da Paraíba nas eleições de 2026. Para a parlamentar, o cenário eleitoral permite diferentes composições de voto e a escolha dos dois senadores não interfere na unidade da oposição.

A declaração foi dada antes da sessão da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), que analisou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027 e vetos do Governo do Estado relacionados ao orçamento.

Camila destacou que mantém respeito por Veneziano, mas entende que a eleição para o Senado possui características próprias, já que o eleitor poderá escolher dois candidatos, tornando natural a existência de apoios distintos dentro de um mesmo grupo político.

“Primeiro, o meu máximo respeito ao senador Veneziano. Ele sabe do carinho que tenho por ele, mas eu discordo. É uma eleição em que o eleitor escolhe dois senadores e dificilmente haverá unanimidade. Isso acontece também nas eleições para deputado. Acho que isso não atrapalha em nada a campanha de Cícero Lucena”, afirmou.

Questionada sobre a possibilidade de a posição de Veneziano estar relacionada à disputa pela reeleição, a deputada evitou atribuir motivações ao correligionário. Segundo ela, o senador demonstra preocupação com o futuro político da Paraíba, mas sua análise não é compartilhada por todos os integrantes da oposição.

“Não estou aqui para julgar o senador. É um pensamento dele e eu, respeitosamente, discordo. Vejo Veneziano preocupado com o futuro do Estado e tenho certeza de que, no final de tudo isso, teremos a eleição de Cícero e a reeleição merecida do senador”, declarou.

Ao tratar da disputa pelo Senado, Camila confirmou que seu segundo voto será destinado ao ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), decisão que, segundo ela, acompanha o posicionamento da prefeita de Guarabira, Léa Toscano (União Brasil). A parlamentar, entretanto, ressaltou que respeita a autonomia política de prefeitos e lideranças nos municípios onde atua.

Ela explicou que, em algumas cidades, aliados apoiam o deputado estadual André Gadelha (MDB), enquanto em outras permanecem ao lado de Veneziano, evidenciando a diversidade de composições políticas para o pleito de 2026.

“Meu voto é em Nabor, mas cada cidade tem sua realidade. Respeito o posicionamento dos prefeitos e das lideranças. Essa é uma eleição muito plural e cada município constrói sua própria composição”, ressaltou.

A manifestação de Camila Toscano amplia o debate sobre o voto cruzado dentro da oposição paraibana. A discussão ganhou força após Veneziano afirmar que um eventual apoio do prefeito em exercício de João Pessoa, Léo Bezerra (PSB), à candidatura de Nabor Wanderley seria prejudicial à chapa majoritária encabeçada por Cícero Lucena.

Apesar da avaliação do senador, deputados e lideranças oposicionistas têm defendido que a disputa pelas duas vagas ao Senado permite diferentes alianças sem comprometer o projeto político para o Governo do Estado, consolidando o voto cruzado como uma das principais características da eleição de 2026 na Paraíba.