Quem duvidou da capacidade política de Hugo Motta precisa reavaliar os seus conceitos. Alvo de críticas de setores da classe política e da imprensa nacional sobre sua capacidade de comandar a Câmara dos Deputados, o jovem presidente paraibano reuniu apoios da esquerda, do Centrão e da direita, fortaleceu sua relação com o Palácio do Planalto e se aproxima da disputa pela reeleição com o apoio de 15 partidos e um favoritismo reconhecido nos bastidores de Brasília.
Isso não significa que a eleição esteja decidida. A votação está prevista para fevereiro de 2027. Até lá, apoios podem mudar, resistências podem crescer e acordos serão testados. Mas seria um erro ignorar a posição conquistada pelo deputado paraibano, sua força política e sua capacidade de articulação.
Motta se antecipou ao desfecho do segundo turno presidencial. Buscou sustentação para permanecer no comando da Câmara independentemente de quem saísse vencedor. A reeleição de Lula, a quem apoiou, tornou o ambiente ainda mais favorável e ampliou a importância de sua interlocução com o governo.
Há mérito político nessa construção. Reunir forças que se enfrentam publicamente exige disposição para negociar e conhecimento da dinâmica do Congresso Nacional. A avaliação de que lhe faltava capacidade de articulação perdeu força diante dos apoios reunidos.
O caminho, contudo, não está livre de contestação. Parte do PL rejeita a aliança, enquanto o Novo anunciou candidatura própria. Essas resistências, embora apontadas como minoritárias, impedem que o favoritismo seja confundido com unanimidade.
Também é necessário distinguir a habilidade para conquistar votos entre deputados da capacidade de entregar resultados ao país. A primeira pode favorecer a segunda, mas não a garante. Acordos e distribuição de espaços ajudam a sustentar uma eleição interna; o interesse público exige compromissos que possam ser conhecidos, acompanhados e cobrados.
Para a Paraíba, ter um representante no centro das decisões nacionais é motivo de reconhecimento e uma oportunidade de ampliar a defesa dos interesses do estado. Essa projeção também aumenta a responsabilidade de produzir benefícios que ultrapassem o próprio grupo político.
Antes mesmo da votação, Hugo Motta já deu uma resposta consistente a quem questionava sua habilidade para construir uma maioria e conduzir politicamente a Câmara. Seu próximo desafio será converter o apoio conquistado em decisões à altura das necessidades da população. Se a recondução for confirmada, chegará ao novo mandato com mais força e uma responsabilidade ainda maior.


