Na reta final do segundo turno da disputa presidencial, nomes conhecidos no segmento evangélico brasileiro intensificaram as manifestações em favor do candidato Flávio Bolsonaro (PL), rivalizando com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A movimentação reúne de figuras da Assembleia de Deus a lideranças de grandes convenções nacionais, reforçando a demarcação de território da maioria da cúpula religiosa em prol da candidatura do Partido Liberal.
Integrantes da família do pastor José Wellington Bezerra da Costa, uma das referências mais longevas e influentes do pentecostalismo no país e ex-presidente por três décadas da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), explicitaram seu posicionamento nas redes sociais. O deputado estadual Paulo Freire Costa (PL-SP) declarou apoio formal ao presidenciável em nome da Convenção Fraternal das Assembleias de Deus de São Paulo, ressaltando a defesa dos valores cristãos. No mesmo período, a vereadora paulistana Rute Costa (PL-SP) participou de ato político na Avenida Paulista, enquanto o presidente da CGADB, José Wellington Júnior, convocou momentos de oração durante os cultos pelo cenário político nacional.
A articulação do clã não é inédita. O grupo acumula um histórico de restrições a candidaturas de esquerda desde os anos 1990, respaldando nomes do PSDB em disputas passadas e orientando a base de fiéis contra a oposição. Embora o patriarca tenha adotado um tom apaziguador e conciliador às vésperas do primeiro turno, o avanço da eleição para a etapa decisiva reativou o engajamento explícito em favor da postulação de Flávio Bolsonaro.
A adesão ao nome do candidato do PL estendeu-se a outros importantes polos assembleianos. O bispo Samuel Ferreira, presidente da Convenção Nacional das Assembleias de Deus Ministério Madureira (Conamad), recebeu Flávio Bolsonaro em evento comemorativo do centenário do ministério e defendeu o engajamento do eleitorado evangélico na candidatura do senador. O alinhamento ocorreu após períodos de aproximação pontual com o governo federal e diálogos institucionais mantidos em anos anteriores.
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Em âmbito regional, outros blocos da denominação também emitiram diretrizes. Na Paraíba, o pastor José Carlos de Lima manifestou-se recomendando que os fiéis se oponham a legendas e propostas que venham a ridicularizar a fé cristã, em sinalização voltada contra a plataforma da esquerda. Analistas políticos e lideranças como o pastor Silas Malafaia destacam que este pleito se diferencia pela manifestação direta de condutores de ministérios tradicionais que habitualmente atuavam longe dos holofotes e das redes sociais.
Em contrapartida, outras vertentes adotam posições distintas na conjuntura eleitoral. A Igreja Universal do Reino de Deus tem mantido uma postura de neutralidade institucional, orientando seus ministros a não fazerem manifestações explícitas de voto. Representantes da denominação ressaltam a busca pela preservação de princípios e afastamento da polarização partidária, enquanto quadros ligados ao partido Republicanos declararam apoio à reeleição do projeto governista no segundo turno.


