A disputa eleitoral pode ser acirrada. O debate pode ser firme. O que não podemos aceitar é que a preferência por um candidato transforme o outro eleitor em alvo. Neste segundo turno das eleições presidenciais, é preciso reafirmar um limite básico da democracia: nenhuma bandeira autoriza a intimidação ou a violência.
O incêndio que atingiu a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na quarta-feira (7), provocou perdas que ultrapassam o valor dos equipamentos. Segundo a Reitoria da instituição, o prejuízo estimado chega a R$ 100 milhões, com a destruição de pesquisas acumuladas ao longo de duas décadas. São anos de trabalho científico comprometidos e projetos que poderiam beneficiar toda a sociedade.
Nas redes sociais, surgiram suspeitas de motivação política. Mas responsabilidade também significa não antecipar conclusões: as circunstâncias do incêndio estão sob investigação da Polícia Federal. A indignação exige respostas, mas não dispensa provas.
Na quinta-feira (8), outro episódio preocupante ocorreu na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Segundo informações da TV Paraíba, três pessoas foram detidas após uma confusão envolvendo a retirada de cartazes políticos. Testemunhas relataram ainda que uma estudante idosa teria sofrido injúria racial. A denúncia exige apuração rigorosa.
Embora sejam situações distintas, sem vínculo estabelecido entre elas, os episódios e sua repercussão reforçam a necessidade de serenidade e responsabilidade no debate público.
Até onde estamos dispostos a levar a rivalidade eleitoral? Discordar faz parte da democracia. Tentar silenciar alguém pela intimidação compromete a própria liberdade que permite a cada cidadão defender suas escolhas.
Essa responsabilidade também alcança candidatos, dirigentes partidários e lideranças. Não basta pedir votos: é preciso condenar a violência com clareza e orientar os apoiadores a respeitar quem pensa diferente. As palavras ditas no palanque e publicadas nas redes têm consequências.
Defenda seu candidato. Questione propostas. Cobre compromissos. Mas preserve o respeito à vida e à dignidade das pessoas.
Não podemos esperar uma tragédia para reconhecer que os limites foram ultrapassados. A eleição termina. A convivência continua. Nenhuma vitória nas urnas vale uma vida.


