Uma declaração feita pelo vereador Roberto Cândido (União Brasil), de Junco do Seridó, no Sertão da Paraíba, provocou repercussão ao defender que servidores contratados pela Prefeitura sejam pressionados a votar nos candidatos apoiados pela gestão municipal.
A fala ocorreu durante sessão ordinária da Câmara Municipal, realizada na última quinta-feira (3). Na tribuna, o parlamentar chegou a sugerir que o prefeito convoque individualmente os funcionários ao gabinete para apresentar a chapa eleitoral apoiada pela administração.
“O prefeito é para obrigar mesmo o povo a votar. Eu já disse a ele várias vezes. Chame um por um no seu gabinete e diga: aqui está minha chapa”, declarou Roberto Cândido durante o pronunciamento.
O vereador também mencionou a participação de servidores públicos em atividades relacionadas à campanha eleitoral. Segundo ele, funcionários estariam sendo cobrados a comparecer a atos, permanecer em frente a comitê político, utilizar bandeiras e colocar fotografias de candidatos em suas residências.
Ao comentar a situação, Roberto Cândido afirmou que servidores insatisfeitos com essas exigências deveriam deixar seus empregos.
“Quem é funcionário público, quem está sendo obrigado a ir para o balneário, a vir aqui para frente do comitê, de colocar uma bandeira, uma foto na sua casa, entregue o emprego se estiver insatisfeito”, afirmou.
Vereador associa oportunidade de emprego a voto
Em outro trecho do discurso, Roberto Cândido relacionou a oportunidade de trabalho concedida pelo município ao que classificou como uma demonstração de gratidão por meio do voto.
Para o parlamentar, pessoas que conseguiram emprego na administração municipal deveriam reconhecer a oportunidade recebida apoiando eleitoralmente o grupo político.
“Não acho justo quem nunca teve uma oportunidade no município, quem nunca teve uma oportunidade de emprego, hoje o prefeito deu. Acho que quem recebeu pela primeira vez deve ser grato, reconhecer através do voto”, declarou.
As declarações colocam no centro do debate a relação entre servidores contratados, administração pública e liberdade de escolha eleitoral. O voto é secreto e a manifestação registrada na Câmara ocorreu em meio à campanha eleitoral de 2026.


