O cancelamento do São João 2026 em Santa Rita escancara muito mais do que um impasse administrativo: revela uma disputa política que terminou, mais uma vez, com a conta sendo paga pela população. Segundo relato oficial da Prefeitura, a retirada de cerca de R$ 12 milhões do orçamento da cultura, promovida pela Câmara Municipal, inviabilizou completamente a realização do evento — um dos maiores símbolos culturais e econômicos da cidade.
Não se trata de falta de tentativa. A gestão municipal afirma ter buscado diálogo, articulação e solução institucional para recompor os recursos. Um Projeto de Lei foi encaminhado com esse objetivo, recebeu parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas acabou travado antes mesmo de chegar ao plenário. A decisão de não pautar a matéria, atribuída à presidência da Casa, transformou o que poderia ser um debate democrático em um bloqueio político com consequências diretas.
Mais grave ainda é o contexto em que essas decisões ocorreram. Sessões foram canceladas, prazos se esgotaram e, enquanto isso, a cidade assistia, impotente, à desmontagem de seu calendário cultural. A chamada “falta de tempo” não foi um acaso — foi construída. E, ao final, o resultado é claro: sem orçamento legal, não há como realizar um evento dessa magnitude.
E não se trata de qualquer festa. Nos últimos anos, o São João de Santa Rita se consolidou como um dos maiores festejos juninos da Paraíba e, possivelmente, o maior da Região Metropolitana de João Pessoa. Um evento que movimenta a economia, atrai turistas, gera emprego e renda, e fortalece a identidade cultural do município.
O impacto do cancelamento vai muito além do simbólico. Hotéis deixam de receber hóspedes, restaurantes perdem clientes, motoristas de aplicativo rodam menos, ambulantes deixam de faturar, comerciantes veem suas expectativas ruírem. Milhões de reais deixam de circular na economia local. Em outras palavras: perde a cidade.
Perde, sobretudo, o cidadão santarritense, que fica sem seu principal festejo por aquilo que, cada vez mais, se desenha como uma birra política. Um jogo de forças onde o interesse público foi deixado em segundo plano.
Diante disso, não há como fugir da responsabilidade. O presidente da Câmara, Epitácio Viturino, assim como os demais membros da Mesa Diretora, precisarão vir a público explicar à população por que um projeto essencial não foi sequer colocado em votação. Em um cenário onde todas as tentativas foram realizadas, a omissão também é uma escolha — e suas consequências agora são visíveis.
Sem dinheiro em caixa, não há festa. Mas sem compromisso público, não há gestão que resista. Santa Rita perde seu São João. E o que fica é a pergunta: a quem interessou esse prejuízo coletivo?
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