A segurança pública e a influência do crime organizado voltaram a ganhar destaque no debate político na Região Metropolitana de João Pessoa durante a campanha para a eleição suplementar em Cabedelo. O prefeito interino do município e candidato ao cargo, Edvaldo Neto (Avante), afirmou nesta quinta-feira (12) que tem enfrentado limitações impostas por facções criminosas para realizar atividades de campanha em algumas comunidades da cidade.
Em entrevista à CBN João Pessoa, o gestor relatou que sua equipe decidiu evitar a entrada em determinadas localidades para não expor moradores que demonstram apoio à candidatura a possíveis retaliações por parte de grupos criminosos.
“Existem comunidades onde nossa entrada está limitada. Respeitamos a população e evitamos ir até esses locais porque, mesmo havendo apoiadores e eleitores que desejam votar em nosso projeto, não queremos expor essas pessoas a possíveis consequências depois”, declarou.
Ao comentar sobre os locais onde a campanha enfrenta restrições, Edvaldo mencionou diretamente algumas áreas do município. Segundo ele, as comunidades de Renascer e Salinas Ribamar estariam entre os pontos onde, no momento, não tem sido possível realizar mobilizações políticas.
De acordo com o prefeito interino, as informações já foram comunicadas à Justiça Eleitoral e às autoridades de segurança. “Já levamos essas informações à juíza eleitoral e encaminhamos materiais que recebemos. Também reforçamos nossa segurança para continuar a campanha, mas essa situação é real e já foi comunicada às autoridades de segurança para as providências necessárias”, afirmou.
O candidato também atribuiu as restrições à atuação direta de facções criminosas nas comunidades e disse que a situação estaria relacionada à postura da atual gestão municipal de não manter qualquer tipo de diálogo com esses grupos.
“São as próprias facções que dizem que não podemos entrar nessas comunidades. Em um primeiro momento houve tentativas de aproximação, mas fechamos completamente essa porta. Não dialogamos com esse tipo de situação. Algumas pessoas tentaram enviar recados, porém não aceitamos nenhum tipo de acordo ou conversa. Diante disso, deixamos de entrar nesses locais e comunicamos tudo às autoridades competentes”, disse.
A eleição suplementar para escolha do novo prefeito de Cabedelo está marcada para o dia 12 de abril. O novo pleito foi convocado após a Justiça Eleitoral do Brasil determinar a cassação dos mandatos do então prefeito André Coutinho (Avante) e da vice-prefeita Camila Holanda (PP). Ambos são investigados por suposto envolvimento com facções criminosas e por irregularidades relacionadas à eleição municipal de 2024.


