O cenário político de Cajazeiras entrou em rota de tensão e incerteza após declarações do ex-prefeito e pré-candidato a deputado estadual Zé Aldemir (PP) sobre o distanciamento da prefeita Corrinha Delfino (PP), apontada como sua principal aliada no município.
Em entrevista exclusiva ao radialista Levi Dantas, do Blog do Levi e à TV Diário do Sertão, em João Pessoa, Aldemir afirmou que está há mais de três meses sem conversar com Corrinha e relatou que a comunicação entre os dois teria sido interrompida desde o dia 20 de outubro.
Segundo ele, a prefeita deixou de telefonar ou mandar mensagens desde o lançamento de sua pré-candidatura a deputado estadual, apesar da parceria política que, conforme pontuou, foi determinante para a vitória de Corrinha nas urnas, com mais de 20 mil votos.
“Se você me perguntar por que ela não me telefonou mais, eu não tenho mais como segurar, porque o povo mesmo já sabe. Eu tenho que confirmar o que o povo já sabe. Eu não posso estar mentindo, dizendo que ela falou comigo ou que ela ligou para mim. É verdade. Faz 90 dias agora no dia 20 de janeiro que ela nunca mais ligou para mim, nunca mais falou comigo”, declarou Zé Aldemir.
Ainda conforme o ex-prefeito, Corrinha não o teria procurado sequer durante o período de Natal e fim de ano, nem em seu aniversário, no último dia 13 de janeiro. Ele afirmou que foi convidado para o Carnaval do município por meio de terceiros, sob a justificativa de falta de tempo para um encontro pessoal.
Aldemir relatou que a prefeita o cumprimentou apenas em duas situações públicas: na visita do governador a Cajazeiras e no velório da mãe de Sara.
Divergência eleitoral pode ter motivado desgaste
Na avaliação de Zé Aldemir, o desgaste no relacionamento tem relação direta com a estratégia política para as eleições de 2026. Ele contou que Corrinha preferia que ele disputasse uma vaga de deputado federal, e não estadual, para evitar que ela tivesse que escolher entre seu apoio e o do deputado estadual Júnior Araújo (PP), que deve tentar a reeleição.
De acordo com Aldemir, a prefeita teria tentado convencê-lo em reunião realizada na residência dele, mas o ex-prefeito afirmou que já havia decidido pela disputa estadual por não enxergar viabilidade eleitoral para uma candidatura a federal.
Apesar das divergências, Corrinha chegou a participar do evento de anúncio da pré-candidatura de Zé Aldemir em Cajazeiras. No entanto, segundo o ex-prefeito, o distanciamento aumentou após ele cobrar reciprocidade e engajamento político.
Ele lembrou que, em 2024, mobilizou sua base de apoiadores para participar do lançamento da candidatura de Corrinha à Prefeitura, mas diz que o mesmo não ocorreu quando foi a vez de ele oficializar sua pré-candidatura.
Zé Aldemir afirmou ter se sentido desamparado e disse que telefonou para a prefeita para desabafar.
“No meu evento, tu não deu um telefonema para ninguém convocando para participar do evento”, teria dito o ex-gestor, acrescentando que apenas externou essa frustração.
“Ela é quem tem que me procurar”, diz Aldemir
Apesar do clima de afastamento, Zé Aldemir afirmou que, do lado dele, não considera que houve um rompimento oficial. Ele disse que está disposto a receber Corrinha, mas que agora cabe à prefeita procurar um diálogo, caso tenha interesse.
“Não é ela que vai me receber. Eu não vou. Se ela deu sinal que não estava querendo conversar comigo, eu não posso ir, eu não posso chegar a não ter amor próprio, a me desvalorizar. Eu tenho que ter meus valores”, afirmou.
Sobre o impacto político do distanciamento, Aldemir minimizou a ausência da prefeita em sua caminhada eleitoral e garantiu que aposta no apoio popular.
“Eu não estou intrigado do povo. Meu maior aliado é o povo, é a sociedade, pode ter certeza disso. Eu confio no povo”, concluiu.
Com a crise exposta publicamente, o futuro da unidade do Progressistas em Cajazeiras e o rumo da aliança local passam, agora, por um gesto da prefeita Corrinha Delfino — que, até o momento, segue em silêncio sobre o tema.
Confira a entrevista de Zé Aldemir ao Blog do Levi / TV Diário do Sertão:


