Um levantamento exclusivo realizado com base nos logs de funcionamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revela que 35.521 confirmações de votos para a Presidência da República foram registradas após as 17h (horário de Brasília) no segundo turno das Eleições 2026. A extensão extraordinária do horário de votação ocorreu por determinação do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), e estendeu o funcionamento de seções abertas até as 19h em diversas regiões do país.
O resultado final das urnas confirmou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 51,79% dos votos válidos (64,2 milhões de sufrágios), superando o senador Flávio Bolsonaro (PL), que alcançou 48,21% (59,8 milhões). A vantagem consolidada do petista foi de 4,4 milhões de votos, em uma virada inédita na história política brasileira — a primeira em que o candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar reverteu o placar na etapa decisiva.
Mapeamento dos registros e dinâmica dos logs das urnas
Para dimensionar o fluxo de eleitores no período estendido, a apuração analisou os arquivos de log de 497.897 seções eleitorais espalhadas pelo Brasil e no exterior. O log funciona como o diário de bordo do equipamento eletrônico,gravando automaticamente o momento em que a urna é ligada, os horários exatos em que cada voto é confirmado e a emissão final do Boletim de Urna (BU), sem violar o sigilo do voto.
Do total de 35.521 confirmações registradas após o horário regular de encerramento, o levantamento identificou a seguinte distribuição:
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30.866 votos: computados em seções eleitorais com transmissão já validada e categorizada como “Totalizado” pelo sistema do TSE.
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4.655 votos: gravados em seções que permaneciam pendentes de validação ou em fase final de conferência técnica.
Apelos das campanhas por transporte e impactos das chuvas
A intervenção da Corte Suprema ocorreu após acionamento das duas coligações concorrentes, que alegaram entraves operacionais para o deslocamento dos eleitores. A campanha de Lula denunciou irregularidades no transporte público em estados como São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Roraima, Piauí, Paraíba, Pará e Rio de Janeiro — citando a circulação de apenas 60% da frota de ônibus na capital paulista, contrariando ordem judicial.
Simultaneamente, a campanha de Flávio Bolsonaro ingressou com pedido junto à Justiça Eleitoral solicitando duas horas adicionais de votação em municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina devido aos estragos provocados por temporais, alagamentos e quedas no fornecimento de energia elétrica. Diante das representações,o ministro Cristiano Zanin concedeu a extensão até as 19h para as seções que permaneciam com filas e portas abertas no momento do despacho.
Bloqueio temporário de dados no TSE e reações ao resultado
A decisão do STF exigiu um plano de contingência por parte da equipe de tecnologia do TSE. O presidente da Corte Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, explicou que, como a ordem foi emitida após as 17h, milhares de equipamentos já haviam encerrado a votação e impresso seus respectivos BUs, sem possibilidade de reabertura técnica.
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Para blindar a apuração contra qualquer vazamento de dados parciais enquanto eleitores ainda votavam em seções prorrogadas, o tribunal bloqueou temporariamente a recepção dos Boletins de Urna no sistema central. “Tivemos que promover o bloqueio do recebimento dos Boletins de Urna a fim de assegurar absoluta segurança que as informações nele constantes não fossem de conhecimento nem do próprio TSE”, ressaltou Nunes Marques ao chancelar a vitória de Lula e atestar a total segurança do pleito.
Em contrapartida, o senador Flávio Bolsonaro declarou em pronunciamento que não aceitará a homologação e que acionará a equipe jurídica do partido para requerer a anulação do pleito. O parlamentar alegou que a mudança de horário no decorrer do processo feriu a igualdade de condições entre as candidaturas.


