Ministro Gilmar Mendes manda trancar principal ação da Operação Calvário contra Ricardo Coutinho no STF
MPF alerta que arquivamento da Operação Calvário pode gerar repercussões diretas em outros julgamentos relevantes da Corte

A Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou, nesta segunda-feira (2), que a decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de arquivar a Operação Calvário contra o ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho (PT) pode gerar repercussões diretas em outros julgamentos relevantes da Corte, incluindo casos como os atos antidemocráticos de 8 de janeiro e o assassinato da vereadora Marielle Franco.

Em manifestação encaminhada ao STF, a subprocuradora-geral da República, Cláudia Sampaio Marques, classificou a decisão como “de extrema gravidade” e apontou risco de um efeito cascata sobre processos fundamentados em provas oriundas de acordos de colaboração premiada.

Segundo a PGR, caso o entendimento adotado no arquivamento da Calvário prevaleça, ele poderá impactar condenações já proferidas pelo Supremo. Entre os exemplos citados estão os julgamentos relacionados aos atos de 8 de janeiro — que tiveram como base a delação do tenente-coronel Mauro Cid — e o caso Marielle Franco, no qual os irmãos Domingos e Francisco Brazão foram condenados como mandantes do crime com base em provas derivadas das colaborações de Ronnie Lessa e Élcio Queiroz.

O parecer foi apresentado no contexto de pedidos de extensão protocolados por outros investigados, que alegam estar em situação processual semelhante à de Ricardo Coutinho.

Além disso, a PGR rebateu a tese de que as denúncias da Operação Calvário teriam se sustentado exclusivamente em depoimentos de delatores. De acordo com o órgão, as investigações reuniram um conjunto robusto de provas independentes, incluindo quebras de sigilo, auditorias, cruzamento de dados, registros bancários e fiscais, além de mensagens, gravações ambientais e planilhas de controle financeiro.

Ainda conforme a manifestação, embora as colaborações premiadas tenham contribuído para a estruturação das investigações, os elementos probatórios foram devidamente corroborados por evidências materiais e documentais.

A Procuradoria também destacou que, no caso Marielle, as provas utilizadas nas condenações dos irmãos Brazão foram construídas a partir de uma análise integrada dos depoimentos dos colaboradores com outros elementos colhidos ao longo da investigação.

O posicionamento da PGR reforça o debate jurídico no STF sobre os limites e a validade do uso de provas derivadas de colaborações premiadas, especialmente em processos de grande repercussão nacional.