A Polícia Civil da Paraíba deflagrou, na manhã desta quinta-feira (26), a Operação Argos, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa envolvida no fornecimento de drogas no estado e em outras regiões do país.
Ao todo, estão sendo cumpridos 44 mandados de prisão preventiva, sendo 32 na Paraíba, além de ordens judiciais em São Paulo, Bahia e Mato Grosso. A operação também inclui 45 mandados de busca e apreensão, além de medidas para enfraquecer financeiramente o grupo investigado.
Entre as decisões judiciais, está o bloqueio de R$ 104,8 milhões em contas bancárias ligadas a 199 investigados, além do sequestro de 13 imóveis e 40 veículos, incluindo carros de luxo e frotas utilizadas no transporte de entorpecentes.
Prisões e ações na Paraíba
Em João Pessoa, três pessoas foram presas nos bairros de Paratibe, Gramame e Mangabeira, na Zona Sul da capital. Já em Campina Grande, três mandados foram cumpridos no bairro Três Irmãs. Um dos suspeitos chegou à delegacia com a mão ensanguentada após tentar destruir o próprio celular durante a abordagem.
No município de Pombal, no Sertão, foi preso Luciano Moraes, apontado como o principal operador da organização criminosa na Paraíba.
Líder preso em São Paulo
Uma das principais lideranças do grupo, Jamilton Alves Franco, conhecido como “Chocô”, foi preso na cidade de Hortolândia (SP). Natural de Cajazeiras (PB), ele é apontado como peça-chave na articulação do tráfico interestadual, com conexões em núcleos criminosos fora da Paraíba.
Segundo as investigações, essas conexões permitiram a criação de uma rota estruturada de distribuição de drogas, abastecendo não apenas a Paraíba, mas também regiões do Sertão de Pernambuco e do Ceará.
Estrutura milionária e lavagem de dinheiro
As investigações apontam que a organização criminosa operava com uma estrutura altamente organizada, dividida em núcleos responsáveis pelo transporte, distribuição e lavagem de dinheiro.
O esquema financeiro movimentou cerca de R$ 500 milhões desde 2023, com uso de empresas de fachada, movimentações bancárias fracionadas e aquisição de bens de alto valor.
Entre os nomes investigados na área financeira estão:
- Giovanna Parafatti, ex-bancária, suspeita de movimentar mais de R$ 15 milhões por meio de empresas e familiares;
- Naiara Batistelo, médica, apontada como intermediária financeira na fronteira, com movimentação superior a R$ 10,9 milhões em menos de três anos.
A Polícia Civil também identificou indícios de infiltração do grupo em setores lícitos, incluindo contratos públicos. Uma empresa sediada em Pombal teria recebido cerca de R$ 3 milhões em recursos públicos, mesmo sem possuir funcionários registrados, com suspeita de desvio para financiar o tráfico.
Investigação e funcionamento da organização
A investigação teve início em 2023, após uma série de apreensões de grandes carregamentos de drogas no estado. A partir daí, a polícia identificou um modelo estruturado de atuação, com divisão de tarefas e atuação interestadual.
Segundo a apuração:
- A droga era transportada em carretas e veículos de apoio, muitas vezes misturada a cargas lícitas;
- Subnúcleos na Paraíba faziam a distribuição para o consumidor final;
- Um núcleo financeiro era responsável por ocultar e movimentar os valores do tráfico.
A Operação Argos tem como foco atingir três pilares da organização criminosa: logística, distribuição e estrutura financeira.
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