Camisa 10 do Santos, que chorou depois de eliminação, jogou os Mundiais de 2014, 2018, 2022 e 2026 - Foto: @FIFA

A eliminação da Seleção Brasileira para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 pode ter marcado também o fim de uma das trajetórias mais emblemáticas da história recente do futebol nacional. Logo após a derrota por 2 a 1, neste domingo (5), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, o atacante Neymar deu fortes indícios de que não voltará a vestir a camisa da equipe brasileira.

Em rápida entrevista ainda no gramado, o camisa 10, visivelmente emocionado, resumiu o sentimento de despedida.

“Tentei, tentei. Agora acabou. Comecei aqui, fechei aqui”, afirmou.

A declaração faz referência ao próprio início da história de Neymar na Seleção Brasileira. Foi justamente em Nova Jersey que o atacante marcou seu primeiro gol pelo Brasil, em um amistoso contra os Estados Unidos, em 2010, quando ainda defendia o Santos e dava os primeiros passos com a equipe principal.

Ao longo de mais de uma década representando o país, Neymar construiu uma carreira marcada por recordes, protagonismo e também frustrações em Copas do Mundo. O principal título pela Seleção principal foi a conquista da Copa das Confederações de 2013, quando liderou o Brasil na campanha invicta encerrada com a histórica vitória por 3 a 0 sobre a Espanha, no Maracanã. Na ocasião, foi eleito o melhor jogador da competição.

Nas Copas do Mundo, entretanto, o sonho do título jamais se concretizou. Em 2014, após um início promissor, sofreu uma grave lesão nas quartas de final contra a Colômbia e não participou da derrota por 7 a 1 para a Alemanha. Em 2018, o Brasil foi eliminado pela Bélgica, enquanto em 2022 a queda veio diante da Croácia, nos pênaltis. Já em 2026, recuperado de lesões, Neymar teve participação reduzida durante o torneio e entrou em campo por menos de uma hora somando todas as partidas.

O último ato com a camisa amarela pode ter sido justamente um gol de pênalti, convertido nos acréscimos da derrota para a Noruega. O lance diminuiu o placar, mas não evitou a eliminação brasileira e, possivelmente, encerrou a passagem do atacante pela Seleção.

Mesmo sem conquistar a Copa do Mundo, Neymar deixa um legado expressivo. O atacante foi protagonista da inédita medalha de ouro olímpica conquistada pelo Brasil nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016, quando marcou o pênalti decisivo diante da Alemanha e levantou o troféu como capitão da equipe.

Com 80 gols em 130 partidas, Neymar encerra sua trajetória como o maior artilheiro da história da Seleção Brasileira em jogos oficiais, superando a marca de Pelé nesse recorte estatístico. Ainda assim, o tão sonhado título mundial permaneceu como o grande objetivo que escapou durante sua carreira vestindo a camisa verde e amarela.