Liudmilla em João Pessoa
Na imagem, a cantora Ludmilla em João Pessoa

A cantora Ludmilla causou repercussão nas redes sociais ao recusar dar entrevista a uma repórter da TV TH+ Tambaú (afiliada do SBT), durante a gravação do DVD da cantora Raphaella Santos, realizada na orla de Tambaú, em João Pessoa, na noite desta quinta-feira (22). O evento reuniu uma grande multidão e contou com participações especiais de artistas nacionais.

Ao ser abordada pela equipe da emissora, Ludmilla foi direta ao justificar sua decisão e afirmou: “Respeito o seu trabalho, você vai me desculpar, mas eu não falo com emissora que defende racista.” A frase viralizou rapidamente e dividiu opiniões na internet, entre apoiadores da artista e internautas que criticaram a postura.

A declaração, no entanto, não surge do nada: ela está ligada a um conflito antigo envolvendo acusações de racismo e um processo judicial movido pela cantora contra um jornalista que integra a emissora.

 

Entenda o caso: processo por injúria racial e disputa pública

A relação entre Ludmilla e o apresentador Marcão do Povo é marcada por um caso que se arrasta há anos e tem como ponto central uma denúncia de injúria racial.

O que aconteceu em 2017

Em 2017, Marcão do Povo, à época na Record, se referiu à cantora de forma ofensiva ao vivo, usando expressão considerada racista, o que motivou Ludmilla a entrar com ação judicial.

Condenação e repercussões

Em 2023, o caso ganhou novo capítulo: o jornalista foi condenado por injúria racial, com determinação de indenização e aplicação de pena convertida em restritiva de direitos. Apesar disso, o processo seguiu cercado de controvérsias e recursos, com a defesa alegando interpretações jurídicas favoráveis ao apresentador em etapas posteriores.

Recusa de homenagem e novo episódio em 2025

Em dezembro de 2025, Ludmilla voltou a se posicionar publicamente ao recusar uma homenagem do SBT, justamente por não compactuar com o fato de a emissora manter o profissional em seu quadro. Na época, ela declarou que não aceitaria reconhecimento de um canal que, segundo ela, “dá palco a pessoas coniventes com o racismo”.

O episódio também gerou forte debate nacional e provocou reações públicas, inclusive de entidades e órgãos ligados à pauta racial.

Reação nas redes e impacto no evento em João Pessoa

A fala de Ludmilla em João Pessoa, durante a gravação do DVD de Raphaella Santos, reacendeu a discussão. Internautas defenderam a cantora alegando que sua postura é coerente com o histórico de enfrentamento ao racismo e com a cobrança por posicionamento institucional das emissoras. Já críticos apontaram que a recusa teria sido “exagerada”, embora o vídeo mostre que Ludmilla se dirigiu à repórter com respeito, reforçando que não falaria com a emissora por motivo específico.

Apesar da polêmica, a apresentação ocorreu normalmente e foi um dos destaques da noite, marcada por estrutura montada na orla e grande presença de público no Busto de Tamandaré.

Debate sobre racismo e responsabilidade institucional

O caso expõe novamente um debate recorrente no Brasil: até que ponto empresas de comunicação podem ser responsabilizadas pela permanência de profissionais envolvidos em denúncias ou condenações por práticas discriminatórias.

Para Ludmilla, o posicionamento é claro: a artista sustenta que não pode normalizar espaços que, em sua avaliação, toleram discursos racistas — e prefere usar sua visibilidade para pressionar por mudanças.

A situação envolvendo a gravação em João Pessoa, portanto, vai além de um simples “não”: tornou-se mais um capítulo de uma disputa pública que envolve justiça, racismo e o papel das emissoras na sociedade.

 

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