O Sistema Único de Saúde (SUS) alcançou um novo marco na Paraíba com a realização da primeira colectomia parcial por videolaparoscopia dentro do programa Paraíba Contra o Câncer. O procedimento foi realizado nesta sexta-feira no Hospital do Servidor General Edson Ramalho, unidade integrante da rede estadual e administrada pela Fundação Paraibana de Gestão em Saúde.
A iniciativa representa um avanço na oferta de cirurgias de alta complexidade, ao incorporar uma técnica menos invasiva ao tratamento oncológico na rede pública. Diferente da cirurgia aberta convencional, o método utiliza pequenas incisões e uma câmera laparoscópica, permitindo maior precisão durante o procedimento e reduzindo o impacto no organismo do paciente.
Responsável pela cirurgia, o diretor da unidade, o médico oncologista Ramonn Chaves, destacou os benefícios da técnica. “Trata-se de um procedimento realizado por meio de pequenos orifícios, com o auxílio de vídeo, o que possibilita uma visualização detalhada da cavidade abdominal. Isso representa um avanço importante para o SUS no estado, pois amplia o acesso a tratamentos mais modernos, com menos dor, menor tempo de internação e recuperação mais rápida”, explicou.
O paciente submetido à cirurgia, Fabrício Martins, de 51 anos, apresenta um quadro clínico considerado delicado. Além do diagnóstico de câncer, ele convive com doença de Parkinson e possui marcapasso implantado anteriormente pelo SUS, no Hospital Metropolitano.
O anestesista Edvan Benevides ressaltou os desafios e vantagens do procedimento. “Mesmo sendo um paciente relativamente jovem, as comorbidades exigem cuidados adicionais. Em grande parte dos casos, essa cirurgia ainda é feita de forma aberta, mas a abordagem por vídeo reduz os riscos, diminui a dor e acelera a recuperação, encurtando o período de internação”, afirmou.
Do diagnóstico à cirurgia
Fabrício foi diagnosticado com adenocarcinoma após uma cirurgia realizada no fim do ano passado. Com a indicação de colectomia parcial, ele chegou ao hospital para dar continuidade ao tratamento. A escolha pela técnica minimamente invasiva foi considerada estratégica, especialmente diante das condições clínicas associadas.
A esposa do paciente, Anna Karla Claudino, destacou o suporte recebido durante todo o processo. “O diagnóstico foi um momento difícil, trouxe muita ansiedade, mas tivemos acompanhamento desde o início. Fomos bem assistidos, com uma equipe organizada e atenciosa”, relatou.
Ela também demonstrou confiança no procedimento. “Existe a ansiedade, mas acreditamos que tudo vai dar certo. Ele está sendo acompanhado por profissionais muito cuidadosos desde a internação até o centro cirúrgico”, acrescentou.
Avanços no tratamento oncológico
A realização da cirurgia reforça o avanço da rede pública estadual na área oncológica. Recentemente, o hospital também passou a oferecer a técnica HIPEC, que combina a retirada de tumores visíveis com a aplicação de quimioterapia aquecida diretamente na cavidade abdominal, ampliando as possibilidades de tratamento para pacientes com câncer.
Com a incorporação de novas tecnologias, o Hospital Edson Ramalho consolida seu papel como referência em procedimentos de alta complexidade no SUS da Paraíba, contribuindo para a melhoria da assistência e da qualidade de vida dos pacientes.



