Imagem da primeira dama de Patos, Mirna Noia

A médica Mirna Noia, ex-primeira-dama de Patos, no Sertão da Paraíba, pediu desculpas publicamente nesta quarta-feira (28) após a repercussão de publicações nas redes sociais em que solicitou ajuda do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o resultado das eleições brasileiras e apareceu usando um boné com uma frase ofensiva direcionada à primeira-dama Janja Lula da Silva.

O caso começou na segunda-feira (26), quando Mirna comentou em uma publicação de Trump no Instagram afirmando que as eleições brasileiras haviam sido fraudadas e pedindo intervenção estrangeira. A manifestação ocorreu após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno presidencial.

A repercussão aumentou após a divulgação de uma fotografia em que a médica aparece usando um boné com a frase “Make Janja quenga again”, uma adaptação ofensiva do slogan político associado a Trump. A publicação provocou críticas nas redes sociais e manifestações de repúdio de lideranças políticas e entidades de Patos.

Em vídeos publicados nos stories do Instagram, Mirna reconheceu que errou ao usar o acessório e divulgar a imagem. Ela classificou o episódio como uma “brincadeira de muito mau gosto” e pediu desculpas às mulheres que se sentiram ofendidas, além de se dirigir diretamente à primeira-dama.

A médica também se desculpou pelo pedido de intervenção dos Estados Unidos. Segundo relatos da imprensa local, ela atribuiu suas manifestações ao calor da disputa política e afirmou estar arrependida da forma como se expressou.

Entidades divulgam notas de repúdio

A repercussão levou representantes políticos e organizações locais a se manifestarem contra a publicação. O Conselho Municipal dos Direitos da Mulher e Diversidade Humana de Patos, o diretório municipal do PCdoB e o ex-prefeito Lenildo Morais divulgaram posicionamentos críticos ao conteúdo direcionado a Janja.

O Conselho Municipal da Mulher também defendeu a apuração da conduta da médica pelos órgãos competentes, considerando a natureza da manifestação e sua atuação profissional na rede pública de saúde.

O episódio ampliou o debate em Patos sobre os limites da liberdade de expressão, o respeito às mulheres e a responsabilidade no uso das redes sociais durante disputas políticas.