Ex-aliado, Julian Lemos afirma que Bolsonaro vive crise psicológica e contesta narrativa de doença: “Se sair da prisão hoje, começa a rodar o Brasil amanhã”
Julian Lemos disse que Jair Bolsonaro precisa de acompanhamento psiquiátrico - Foto: Reprodução

O ex-deputado federal Julian Lemos, que já integrou o núcleo político do ex-presidente Jair Bolsonaro, voltou a ganhar repercussão ao comentar publicamente, nas redes sociais, as recentes declarações de familiares e aliados do ex-chefe do Executivo sobre o estado de saúde dele após a prisão.

Em um vídeo publicado no Instagram, Julian Lemos afirmou que Bolsonaro sempre apresentou boa condição física e minimizou a narrativa de fragilidade. Segundo ele, o ex-presidente estaria, inclusive, custodiado em uma acomodação “superior ao apartamento em que morava”, o que, na avaliação do paraibano, afasta qualquer cenário de precariedade estrutural.

O ex-parlamentar atribuiu o atual momento vivido por Bolsonaro a um processo de “abstinência de poder”, que classificou como uma das mais severas. Para Julian, a retirada repentina de estímulos constantes — como o uso intenso do celular e a exposição permanente — teria impacto direto no comportamento e no estado emocional do ex-presidente.

“Bolsonaro é totalmente dependente desse fluxo contínuo de estímulos. Quem é da área de saúde mental sabe que isso está ligado à dopamina o tempo todo. Tiraram isso dele. Ele não gosta de ler, não tem o que fazer, e isso pode levar a um colapso emocional”, avaliou.

Na análise de Julian Lemos, o ex-presidente atravessa um processo psicológico semelhante às fases do luto, passando pela negação antes de chegar à conformação e à aceitação da nova realidade. “Ele não aceita o quadro em que está e quer voltar para a vida que tinha”, afirmou.

Outro ponto destacado pelo ex-deputado é a estrutura médica à disposição de Bolsonaro. Segundo ele, o ex-presidente conta atualmente com um aparato de saúde superior ao de outras lideranças políticas, incluindo o próprio presidente da República. Ainda assim, Julian defende que Bolsonaro seja submetido a avaliações psiquiátricas e psicológicas feitas por profissionais independentes, sem vínculos com o Exército ou médicos pessoais.

Julian também rebateu a tese de que o ex-presidente estaria impossibilitado de retomar atividades políticas. “Se Bolsonaro sair da prisão hoje, ele começa a rodar o Brasil amanhã. A estratégia é sensibilizar, criar crises, como fazia diariamente quando era presidente. Esse é o perfil dele, um homem de mente barulhenta”, declarou.

Encerrando as críticas, o ex-aliado foi direto ao afirmar que não poderia permanecer em silêncio diante do que classificou como uma construção artificial de fatos. “Não dá para assistir a uma farsa contínua dessas e ficar calado”, concluiu.

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