Marcus Vinícius Neves, é presidente da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa)

O presidente da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), Marcus Vinícius Neves, contestou declarações do secretário de Meio Ambiente de João Pessoa, Welison Silveira, sobre o fenômeno conhecido como “língua negra”, que voltou a ser registrado em praias da capital paraibana. Segundo o dirigente, o sistema de esgotamento sanitário operado pela Cagepa está funcionando normalmente e não é responsável pelas ocorrências associadas à drenagem pluvial.

A discussão ganhou repercussão após reportagens e análises técnicas apontarem que o escurecimento da água em trechos da orla da capital paraibana estaria relacionado ao lançamento irregular de esgoto em galerias de águas pluviais, problema histórico em áreas urbanas de João Pessoa. Especialistas ouvidos em matérias recentes explicam que a chamada “língua negra” é resultado, em grande parte, da mistura de esgoto clandestino com águas de drenagem, especialmente devido a rebaixamento de lençol freático de prédios, bem como após períodos de chuva intensa, quando o volume de água carrega resíduos acumulados até o mar.

Marcus Vinícius Neves reforçou que não há falhas estruturais no sistema da Cagepa que justifiquem o fenômeno. “Nossa rede de esgotamento sanitário está operando normalmente e, nos últimos dias, foi identificado apenas um registro de extravasamento de um Poço de Visita (PV), ocorrido no dia 30 de dezembro, fora da área em questão, por obstrução da rede, que foi prontamente resolvido”, afirmou.

O presidente da Cagepa destacou que o problema não pode ser atribuído a um único fator ou instituição. “A questão é complexa e não pode ser direcionada para apenas um problema. Como está a limpeza das galerias pluviais? E a continuidade da operação de contribuição e fiscalização das ligações clandestinas de esgoto na drenagem? Esse problema de ligação clandestina de esgotos na rede de galeria pluvial é histórico”, ressaltou.

Competências distintas

Marcus Vinícius Neves também fez questão de esclarecer que galeria pluvial não é de competência da Cagepa, mas sim dos municípios. “Enquanto a Cagepa é responsável pela coleta e tratamento do esgoto sanitário, a drenagem de águas pluviais, incluindo limpeza e manutenção de galerias, bocas de lobo e canais, é atribuição das prefeituras.

Segundo ele, sempre que são identificas ligações irregulares de esgoto lançadas na drenagem, a Cagepa, quando demandada, atua de forma integrada com outros órgãos. “Casos como o do Bar dos Cuscuz, e outros semelhantes, foram resolvidos por meio de fiscalizações conjuntas, com correção das irregularidades”, explicou.

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Problema histórico na orla

Estudos técnicos mostram que a presença de ligações clandestinas em galerias pluviais é um problema antigo em João Pessoa, sobretudo em áreas mais antigas da cidade e na orla marítima. “Mesmo com a ampliação da cobertura de esgotamento sanitário nos últimos anos, ainda existem imóveis que despejam resíduos de forma irregular na rede de drenagem, o que contribui para episódios recorrentes de poluição visível nas praias”, pontoou.

“A Cagepa segue à disposição para atuar em parceria com a Prefeitura e órgãos ambientais, mas defendemos que o debate seja feito com base em critérios técnicos, respeitando as atribuições legais de cada ente. A solução definitiva passa por manutenção permanente das galerias pluviais, intensificação da fiscalização de ligações clandestinas e ações educativas junto à população”, acrescentou Marcus Vinícius.