Carteira de trabalho

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística informou, nesta sexta-feira (27), que o Brasil alcançou um novo recorde na proporção de trabalhadores que contribuem para a Previdência Social. No trimestre encerrado em fevereiro, 66,8% da população ocupada — o equivalente a 68,196 milhões de pessoas — estavam vinculadas a algum regime previdenciário.

O resultado é o maior desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, iniciada em 2012, e reforça o avanço da cobertura previdenciária no país.

Ao contribuir para a previdência, o trabalhador passa a ter acesso a benefícios como aposentadoria, auxílio por incapacidade e pensão por morte, garantindo maior proteção social.

Apesar do recorde proporcional, o número absoluto de contribuintes já foi maior no quarto trimestre de 2025, quando atingiu 68,496 milhões de pessoas, correspondendo a 66,5% dos ocupados naquele período.

O levantamento considera como contribuintes empregados com carteira, empregadores, trabalhadores domésticos e autônomos que fazem recolhimento para regimes oficiais, como o INSS ou sistemas próprios de estados e municípios.

Outro dado relevante é que o total de contribuintes (68,196 milhões) supera o número de trabalhadores formais, estimado em 63,8 milhões. Isso ocorre porque profissionais informais, como autônomos sem CNPJ, também podem contribuir de forma individual.

Para o economista Rodolpho Tobler, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, o desempenho está diretamente ligado ao fortalecimento do mercado formal de trabalho. Segundo ele, a expansão de empregos com carteira assinada impulsiona o aumento das contribuições.

De acordo com o IBGE, o número de trabalhadores do setor privado com carteira assinada chegou a 39,2 milhões no trimestre, mantendo estabilidade em relação aos períodos anteriores — um cenário considerado positivo por especialistas.

A pesquisa também apontou crescimento na renda média do trabalhador, que atingiu R$ 3.679 — o maior valor da série histórica, já descontada a inflação. O resultado representa alta de 2% em relação ao trimestre anterior e de 5,2% na comparação anual.

Na avaliação de Tobler, o aumento no número de contribuintes é essencial diante do envelhecimento da população brasileira. Quanto maior a participação no sistema previdenciário, menor tende a ser a pressão sobre o sistema no médio e longo prazo.

Historicamente, o país mantém níveis acima de 60% de trabalhadores contribuintes. O menor índice registrado foi de 61,9%, no trimestre encerrado em maio de 2012.