ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, autorização para receber na prisão a visita do norte-americano Darren Beattie.
Bolsonaro está detido na unidade conhecida como Papudinha, em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado. Como relator do processo que resultou na condenação do ex-presidente, Moraes é o responsável por decidir sobre a autorização de visitas.
No pedido encaminhado ao STF, a defesa solicitou, de forma excepcional, que o encontro com o assessor dos Estados Unidos ocorra nos dias 16 ou 17 de março. Atualmente, as visitas ao ex-chefe do Executivo são permitidas apenas às quartas-feiras e aos sábados.
Darren Beattie foi recentemente nomeado para um cargo no Departamento de Estado dos Estados Unidos, durante o governo de Donald Trump, com atribuições relacionadas à formulação e acompanhamento de políticas de Washington voltadas ao Brasil.
Crítico do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da atuação de Moraes no processo que investigou a tentativa de golpe, Beattie já classificou o ministro como o “principal arquiteto da censura e da perseguição contra Bolsonaro”.
A previsão é que o norte-americano chegue ao Brasil na próxima semana. De acordo com fontes ligadas ao governo dos Estados Unidos, ele participará, no dia 18 de março, de um evento sobre minerais críticos em São Paulo.
A visita ocorre em meio a discussões nos EUA sobre a possibilidade de enquadrar facções criminosas brasileiras — como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) — como Organizações Terroristas Estrangeiras.
O governo brasileiro acompanha o debate com cautela, diante do receio de que essa classificação possa abrir espaço para algum tipo de ação ou intervenção estrangeira no país.

