Na imagem, o senador do Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro (PL)

O senador Flávio Bolsonaro (PL) chegou a Miami, nos Estados Unidos, nesta quarta-feira (28), acompanhado da família, em meio à repercussão de declarações de aliados que defendem a criação de um governo brasileiro no exílio. A iniciativa busca contestar o resultado das eleições presidenciais de 2026, vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A viagem ocorre em meio a um cenário de tensão política e judicial. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia determinado medidas relacionadas aos passaportes do senador e à sua saída do país. As circunstâncias da viagem e o cumprimento dessas determinações precisam ser considerados à luz das decisões judiciais vigentes.

Aliados defendem governo no exílio

A possibilidade de organizar uma estrutura política no exterior ganhou repercussão após manifestações de apoiadores de Flávio Bolsonaro. Entre eles está o blogueiro Allan dos Santos, que defendeu a criação de um governo no exílio nos Estados Unidos.

Nas publicações que circulam sobre o assunto, Flávio é apresentado como o suposto “verdadeiro presidente eleito” do Brasil. Entretanto, é necessário distinguir as declarações de apoiadores de um posicionamento oficial do senador. Não há confirmação independente, nas informações disponíveis, de que ele tenha formalizado uma declaração com esse conteúdo.

Resultado das urnas

Luiz Inácio Lula da Silva venceu o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, realizado em 25 de outubro, conforme o resultado divulgado pela Justiça Eleitoral. A contestação política do resultado, por si só, não altera a validade da eleição nem confere poderes presidenciais ao candidato derrotado.

A legislação brasileira não prevê que um candidato possa assumir a Presidência por meio de uma autodeclaração ou da formação de um governo no exterior. Eventuais questionamentos sobre o processo eleitoral devem seguir os mecanismos legais e ser analisados pelas instituições competentes.

O episódio amplia a repercussão das iniciativas de aliados de Flávio Bolsonaro para contestar o resultado eleitoral. Até que haja manifestação oficial do senador ou documentação verificável, a alegação de que ele se declarou presidente eleito deve ser tratada com cautela.

 

Leia o texto na íntegra:

 

Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do

Brasil.

 

Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e

legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher. Essa é uma

terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país.

O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão.

 

Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos. A

atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se

concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno.

 

Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar

das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam

encerradas. Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a

defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível. E as nulidades não

são o único problema. Ao longo de toda a campanha, houve abuso de poder político, econômico e

uso da máquina pública em favor da reeleição. São fatos graves, expressamente vedados por lei,

que justificam a cassação da chapa Lula-Alckmin.

 

A resposta do regime ao meu questionamento veio rápida. Como num plano previamente

elaborado, sete minutos após essa repugnante fraude eleitoral, o juiz, implicado em um imenso

escândalo de corrupção, diretamente citado no inquérito que usou para tentar sequestrar meus

passaportes, e que muito provavelmente estaria preso, se eles não tivessem impedido a minha

posse, pôs em andamento a máquina de perseguição política do regime. Sendo impedido de

origem e completamente suspeito para iniciar qualquer procedimento judicial contra mim, a sua

mera participação em atos processuais mostra o tamanho da arbitrariedade e ilegalidade em

andamento.

 

Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar. Isso é o

manual clássico de qualquer golpe de Estado. A perseguição política que começou com meu pai, o

ex-presidente Jair Bolsonaro, e se espalhou para milhares de outros brasileiros patriotas comuns e

até mesmo cidadãos americanos, tem um único objetivo: silenciar qualquer pessoa que não

concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil, através de uma Suprema Corte

aparelhada pela organização criminosa petista.

 

Para deixar claro, não existe nenhum mandado de prisão contra mim, porque eu não cometi

nenhum crime. O que existe é uma caça às bruxas politicamente motivada, que visava me colocar

como refém e objeto de chantagem para proteger os juízes corruptos da Suprema Corte do

impeachment. Eis o roteiro da perseguição: apreensão de passaporte, tornozeleira eletrônica,

censura, prisão domiciliar, julgamento de fachada e, finalmente, condenação política.

 

Não vou submeter minha família a isso e meu país não merece passar novamente por este

vexame internacional. Diante da instrumentalização política da Justiça no Brasil, trouxe minha

família para os Estados Unidos, onde estamos em segurança. Agradeço, mais uma vez, ao

Presidente Trump e ao governo americano por nos acolherem e nos darem a segurança jurídica

que não temos mais no Brasil.

 

Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder

ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não

poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada

e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime.

 

Não sou o primeiro a ter que lutar pelo próprio país longe dele. Rui Barbosa foi para o exílio por

enfrentar o arbítrio de Floriano Peixoto e de lá seguiu defendendo a lei e a liberdade. Charles de

Gaulle liderou a França Livre a partir de Londres, condenado à morte pelo regime de Vichy, e

voltou para libertar o seu país. José Martí organizou a luta pela independência de Cuba a partir de

Nova York. Na Venezuela, Juan Guaidó e Edmundo González tiveram que deixar o país por

enfrentar a ditadura chavista, e María Corina Machado, mesmo perseguida, se recusou a legitimar

a fraude e se tornou um símbolo mundial da resistência democrática. Todos eles foram tratados

como criminosos pelos regimes que enfrentavam. A história os chamou de outra coisa.

 

Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade

no Brasil. Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro,

que eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma

organização criminosa que implementou uma tirania. Vocês que almejavam a mudança, e eu não

vou abandoná-los, eu serei a voz e a liderança livre da nossa nação.

 

Às instituições brasileiras, faço um apelo: essa sandice precisa acabar. O Brasil vive hoje um caos

jurídico, de corrupção e de perseguição política, em que a oposição tem medo de falar e a família

de um ex-presidente é tratada como inimiga do Estado. Nenhuma nação consegue viver em paz ou

prosperar assim. Ainda há tempo de restabelecer o equilíbrio entre os Poderes e devolver aos

brasileiros a confiança que perderam.

 

À comunidade internacional, peço: não normalizem o que está acontecendo no Brasil. O que

acontece hoje no meu país não é normal e não pode ser tratado como normal.

 

Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, e em especial ao meu candidato à

presidência do Senado, Rogério Marinho: sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para

o pleno exercício da atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí,

não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr.

 

E a você, que votou em mim e sonha com a mudança: não estamos derrotados e não estamos

sozinhos. Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela

liberdade no Brasil. Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e

apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos,

por todos os meios pacíficos e legítimos, para impedir que Lula consolide um regime ditatorial no

Brasil. Peço a cada um que permaneça firme e jamais desista.

 

Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela

só termina qua

ndo o Brasil voltar a ser um país livre. E esse dia vai chegar.

 

Que Deus abençoe o Brasil.