O fortalecimento do deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB) e a reconfiguração de forças na Câmara dos Deputados após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estiveram no centro das análises políticas do início desta semana. Durante participação no programa Senso Crítico (FGTV/MRTV) nesta segunda-feira (26), o cientista político Edgleiton Souza destacou que a derrota do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mexeu nas peças do jogo parlamentar, favorecendo a estabilidade e a articulação das Casas Legislativas com o Palácio do Planalto.
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Segundo a avaliação do especialista, o domínio sobre a pauta de votações na Câmara é uma das ferramentas mais importantes nas relações entre o Executivo e o Legislativo. Como exemplo prático, citou debates recentes em torno da jornada de trabalho, ressaltando que o comando da mesa diretora dita a velocidade dos projetos. “Se você tem um presidente que é da sua base aliada, a tendência é que os projetos que você defende, que você quer que sejam julgados,sejam colocados em pauta em um tempo mais célere do que outros que não são tão prioridade assim para o governo”,explicou Edgleiton.
Para o analista, o principal desafio do novo mandato presidencial continuará sendo a construção e manutenção de uma maioria sólida no Congresso Nacional, o que exige diálogo permanente com partidos de centro e do Centrão. “Não se governa sozinho e, se ele não tiver o apoio das duas Casas, ele não consegue aprovar nada, não consegue fazer nada”,afirmou o cientista político, pontuando que a habilidade de negociação histórica de Lula será posta à prova diante de um Parlamento de perfil conservador.
Nesse tabuleiro, a projeção de Hugo Motta consolida o congressista paraibano como peça estratégica para a estabilidade institucional. O parlamentar já contabiliza o apoio declarado de 12 partidos, somando uma base potencial de 273 deputados. A vitória petista desidratou os planos do Partido Liberal (PL), que almejava expandir o controle sobre as Casas Legislativas apoiado em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro. No Senado Federal, o movimento também garantiu fôlego à articulação conduzida por Davi Alcolumbre (União Brasil).
Durante o programa, Edgleiton Souza também ponderou sobre as ameaças da oposição relativas a eventuais pedidos de impeachment ou questionamentos jurídicos no pós-eleição. O cientista político enfatizou que existe uma distância significativa entre a apresentação de um recurso e o seu andamento efetivo no Congresso: “Qualquer um vai poder pedir.Agora, entre pedir, ser aceito e ter êxito, existe um lapso muito grande”.
Para o analista, a manutenção de quadros como Hugo Motta na Câmara e Davi Alcolumbre no Senado funcionará como um filtro de previsibilidade política, assegurando a tramitação da agenda econômica e social de interesse do Governo Federal.


