A derrota no segundo turno das Eleições 2026 para o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) marcará uma virada na trajetória política do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Com o término do seu mandato no Senado Federal agendado para fevereiro de 2027, o parlamentar ficará sem cargo público pela primeira vez desde 2002. Ao fim da apuração oficial conduzida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o candidato do PL contabilizou 59,8 milhões de votos (48,21% dos válidos), enquanto Lula atingiu 64,3 milhões de votos (51,79%).
O filho primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro ingressou na vida pública em 2003, aos 21 anos, cumprindo quatro mandatos sucessivos como deputado estadual no Rio de Janeiro (eleito em 2002, 2006, 2010 e 2014) antes de conquistar a vaga no Senado Federal nas eleições de 2018. A tentativa fracassada de chegar ao Palácio do Planalto em 2026 representa a segunda derrota eleitoral de sua carreira — a primeira ocorreu na disputa pela Prefeitura do Rio de Janeiro, em 2016.
Perda de foro privilegiado e manutenção de inquéritos no STF
A saída do Senado em fevereiro de 2027 implicará a perda do foro por prerrogativa de função para eventuais novos procedimentos investigativos, que passarão a tramitar na primeira instância da Justiça comum. No entanto, os inquéritos já instaurados contra o congressista deverão permanecer sob jurisdição do Supremo Tribunal Federal (STF). O entendimento foi consolidado pela Corte em 2025, fixando que apurações relativas a crimes supostamente praticados no exercício do mandato e em razão das funções continuam sob a alçada dos tribunais superiores mesmo após o encerramento do vínculo institucional.
Atualmente, Flávio Bolsonaro é alvo de duas investigações formais no Supremo Tribunal Federal:
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Financiamento do filme “Dark Horse”: A Polícia Federal investiga a negociação de repasses de R$ 130 milhões com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a produção de uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.Documentos obtidos pela imprensa indicam o pagamento efetivo de R$ 61 milhões no âmbito das tratativas.
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Vínculo bancário com advogado: A PF apura o cadastramento do senador como “usuário master” na conta bancária do advogado Willer Tomaz, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro. A perícia apontou que a credencial concedia acesso operacional à conta, hipótese rebatida pela defesa dos citados, que negam sociedade empresarial.
Atuação parlamentar no Senado e repercussão no Congresso
Flávio Bolsonaro cumprirá cerca de três meses de mandato residual na Casa Alta. Durante os oito anos de atuação no Senado — metade dos quais transcorridos durante a presidência do pai —, o parlamentar presidiu a Comissão de Segurança Pública, embora tenha aprovado apenas dois projetos de lei no período, nenhum deles voltado diretamente à área de segurança. No intervalo entre sua posse em 2019 e a campanha de 2026, seu patrimônio declarado evoluiu de R$ 1,7 milhão para R$ 8,1 milhões.
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Em pronunciamento no Congresso Nacional nesta segunda-feira (26), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), destacou o volume de votos obtido pelo colega de Casa e defendeu o respeito ao resultado soberano das urnas. “O Senado viu um de seus membros disputar a eleição num país dividido. Um colega senador disputou e teve 60 milhões de votos, e isso não é pouca coisa. Nosso reconhecimento incondicional à vontade do povo nas urnas”, pontuou Alcolumbre,que também parabenizou Lula pela vitória no pleito.


