Ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal.. Ton Molina
Foto: reprodução

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, assegurou na noite deste domingo (25) que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de estender o horário de votação até as 19h não comprometeu a lisura do segundo turno das Eleições 2026. Em entrevista coletiva concedida na sede da Corte, em Brasília, o magistrado ressaltou que, apesar da complexidade logística e operacional imposta pela prorrogação de última hora, a contagem de votos seguiu parâmetros estritos de segurança e auditabilidade.

Durante o pronunciamento, Nunes Marques informou ter realizado telefonemas institucionais tanto ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto ao senador derrotado Flávio Bolsonaro (PL) para comunicar formalmente a consolidação das urnas. O ministro fez questão de afastar qualquer margem de dúvida sobre a legitimidade do resultado proclaimed pela Justiça Eleitoral.

“Não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial. Temos absoluta confiança em todo o processo eleitoral”, declarou.

Nunes Marques detalhou a engenharia computacional adotada pela equipe de tecnologia do tribunal. Como milhares de seções já haviam encerrado a votação e impresso seus Boletins de Urna (BUs) às 17h, o TSE travou momentaneamente a recepção e o processamento desses dados no sistema centralizado para evitar qualquer vazamento prévio de parciais enquanto a votação permanecia aberta em outras seções. O fluxo de totalização foi liberado gradualmente à medida que o limite estendido das 19h foi atingido nos locais autorizados.

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A ampliação do prazo de recepção de votos havia sido concedida pelo ministro do STF Cristiano Zanin em atendimento a um recurso da campanha petista, que denunciou a retenção indevida da frota de ônibus em capitais como Salvador e São Paulo.

Na capital baiana, fiscalizações judiciais identificaram coletivos parados nas garagens e prenderam em flagrante o secretário municipal de Mobilidade. Do mesmo modo, a campanha de Flávio Bolsonaro também havia recorrido ao TSE solicitando adiamento em 17 cidades do Sul e Sudeste sob a justificativa de chuvas e alagamentos.

Virada inédita na história política e reação da campanha derrotada

Com a conclusão da apuração pelo TSE, Lula foi proclamado reeleito com 51,79% dos votos válidos, superando os 48,21% registrados por Flávio Bolsonaro. O resultado final marcou um acontecimento inédito na história democrática brasileira desde a instituição da redemocratização e do sistema de dois turnos: a primeira vez em que um candidato que terminou a primeira etapa em segundo lugar conseguiu reverter o placar e vencer o pleito na etapa decisiva.

A despeito da homologação oficial realizada pelo tribunal, Flávio Bolsonaro declarou publicamente que contestará o pleito por meio de ações judiciais na tentativa de anular a eleição, atacando a extensão de horário autorizada por Zanin. O ministro Nunes Marques, porém, reafirmou a soberania do veredito popular e a consistência técnica demonstrada pela Justiça Eleitoral ao longo de todo o domingo de votação.