O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu adotar cautela no início da campanha eleitoral e evitar viagens a estados onde mais de um candidato aliado disputa seu apoio. A estratégia, segundo informações de O Globo, envolve Paraíba, Pernambuco e Maranhão e tem como objetivo impedir conflitos entre integrantes da base governista.
Na Paraíba, a postura de Lula ganha peso especialmente por causa da disputa pelas duas vagas ao Senado. O presidente apoia Lucas Ribeiro (PP) para o Governo do Estado, mas, entre os candidatos ao Senado, há nomes tanto de sua base política quanto da oposição.
O ex-governador João Azevêdo (PSB) e Lucas Ribeiro já participaram de gravações ao lado de Lula em Brasília. Antes disso, o presidente havia declarado apoio ao senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que busca a reeleição e integra a chapa de Cícero Lucena (MDB) na disputa pelo Governo da Paraíba.
Com isso, o ex-prefeito de Patos Nabor Wanderley (Republicanos), também candidato ao Senado, acabou ficando fora das manifestações públicas de apoio de Lula.
A situação gerou desconforto entre aliados de Nabor, principalmente porque seu filho, Hugo Motta (Republicanos), presidente da Câmara dos Deputados, declarou voto em Lula mesmo sem o presidente ter sinalizado apoio à candidatura do pai.
João Azevêdo reconheceu que Lula enfrenta uma situação delicada ao precisar administrar interesses de diferentes aliados na disputa pelo Senado. “É como se Lula tivesse três candidatos ao Senado: dois na nossa chapa e um na chapa de oposição. Eu diria que é um bom problema para Lula”, afirmou.
A mesma estratégia vem sendo adotada pelo presidente em Pernambuco e no Maranhão, onde também existem disputas entre aliados pelo apoio presidencial. A intenção é evitar que Lula precise escolher publicamente um nome em detrimento de outro e, consequentemente, provoque divisões em sua base eleitoral.
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A cautela também está relacionada ao desempenho de Lula no Nordeste. A avaliação dentro do núcleo político do presidente é de que manter uma ampla vantagem na região será importante para a campanha à reeleição, especialmente diante da possibilidade de avanço de Flávio Bolsonaro (PL) em estados populosos como São Paulo e Rio de Janeiro.
Na Paraíba e em Pernambuco, Lula conquistou 66% dos votos no segundo turno de 2022, enquanto no Maranhão chegou a 71%.
Desde o início da campanha, Lula já visitou cinco estados e participou de atos eleitorais em quatro deles: São Paulo, Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A eventual agenda presidencial na Paraíba, portanto, deverá ser planejada com cuidado para evitar novos atritos entre os candidatos ao Senado.
Enquanto Lula mantém distância da disputa local, o apoio do presidente continua sendo um dos principais elementos de negociação no cenário eleitoral paraibano.


