Valdemar da Costa Neto dá aval à autonomia do PL da Paraíba e afasta intervenção em debate sobre aliança com o Novo
Presidente nacional do partido afirma que decisão sobre composição para as eleições ficará a cargo da direção estadual liderada por Efraim Filho - Foto: Reprodução / Redes Sociais

O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto, afirmou nesta segunda-feira (15) que a Executiva Estadual da legenda na Paraíba tem autonomia para decidir sobre uma eventual aliança com o Partido Novo na disputa majoritária das eleições de 2026. A declaração foi dada em entrevista à rádio CBN Paraíba e sinaliza que a direção nacional não deverá interferir nas definições políticas adotadas pela sigla no estado.

A manifestação ocorre após a repercussão da posição adotada pelo diretório paraibano do PL, que demonstrou resistência à manutenção de uma composição com o Novo, alegando fatores pragmáticos e eleitorais para justificar o distanciamento entre as legendas.

Com o posicionamento de Valdemar, o tema permanece sob responsabilidade da direção estadual, atualmente comandada pelo senador Efraim Filho, pré-candidato ao Governo da Paraíba. O ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga, também integrante da cúpula partidária no estado, ocupa o cargo de tesoureiro do partido e é apontado como pré-candidato ao Senado Federal.

PL avalia impacto eleitoral da aliança

Nos bastidores, a avaliação de integrantes do PL é de que uma eventual aliança com o Novo poderia não trazer ganhos significativos para a chapa majoritária. Marcelo Queiroga tem defendido que o partido preserve sua estrutura política e eleitoral diante de uma disputa que promete ser altamente competitiva.

Segundo o ex-ministro, o Novo não possui tempo de propaganda em rádio e televisão, fundo partidário expressivo ou densidade eleitoral suficiente para ampliar a competitividade da composição. Apesar disso, Queiroga tem afirmado que mantém boa relação política com lideranças da legenda e não vê impedimentos para apoiar nomes do partido em determinadas circunstâncias.

A estratégia do PL é concentrar esforços no fortalecimento de suas pré-candidaturas para enfrentar adversários considerados competitivos no cenário estadual, como o ex-governador João Azevêdo (PSB), o prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), e o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB).

Declarações de Zema também influenciaram ambiente político

Além dos aspectos estruturais e eleitorais, lideranças do PL apontam que declarações recentes do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), contribuíram para desgastar o ambiente de aproximação entre as siglas.

As críticas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado como um dos possíveis nomes da direita para a disputa presidencial, geraram desconforto entre integrantes do partido e ampliaram as divergências internas sobre a conveniência da aliança na Paraíba.

Parceria segue em outros estados

Embora a aproximação enfrente obstáculos na Paraíba, PL e Novo continuam dialogando e construindo alianças em outras regiões do país.

No Paraná, por exemplo, os partidos discutem uma composição que envolve o deputado federal Luciano Zucco (PL) na disputa pelo governo estadual e o deputado federal Marcel van Hattem (Novo) como pré-candidato ao Senado.

Em Santa Catarina, a parceria também avança com a formação de uma chapa entre o governador Jorginho Mello (PL) e o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), cotado para a vice-governadoria.

Já no Rio Grande do Sul, as duas legendas mantêm entendimento político para apoiar uma composição envolvendo Luciano Zucco ao governo e Marcel van Hattem ao Senado, reforçando a estratégia de cooperação em estados considerados prioritários para ambos os partidos.

A sinalização de autonomia dada por Valdemar da Costa Neto reforça que cada estado terá liberdade para construir suas próprias alianças, levando em conta as particularidades políticas e eleitorais de cada região.

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