Fantástico destaca avanço do crime organizado em Cabedelo e influência de facções na gestão pública
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Na noite desse domingo (10), uma reportagem exibida pelo programa Fantástico trouxe novos detalhes sobre o avanço do crime organizado em Cabedelo, revelando como integrantes do Comando Vermelho monitoravam a cidade por meio de câmeras clandestinas e mantinham influência dentro da estrutura pública municipal.

Segundo investigações da Polícia Federal e do Ministério Público da Paraíba, a facção criminosa comandava ações à distância a partir do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, a mais de dois mil quilômetros da cidade paraibana. Áudios interceptados mostram criminosos organizando um sistema de vigilância com cerca de 30 câmeras espalhadas por bairros e comunidades estratégicas.

As apurações apontam como principal liderança do esquema Flávio de Lima Monteiro, integrante da facção e apontado como responsável pela expansão criminosa no Nordeste. Contra ele existem mandados por tráfico de drogas, homicídios e organização criminosa. Fatoka fugiu do sistema prisional da Paraíba em 2018 e, após ser recapturado, rompeu a tornozeleira eletrônica em 2022, fugindo novamente para o Rio de Janeiro.

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Mesmo distante, ele continuaria dando ordens para expansão territorial da facção, inclusive em bairros de João Pessoa, como o Bessa. Nas mensagens obtidas pelas autoridades, criminosos utilizavam o termo “ponteamento” para mapear áreas dominadas por rivais.

Facção do Rio monitorava Cabedelo por câmeras e infiltrou aliados na prefeitura, apontam investigações

Reprodução: Fantástico

As investigações também apontam infiltração do grupo criminoso na Prefeitura de Cabedelo por meio da empresa Lemon Terceirização e Serviços Ltda.. Segundo os investigadores, a empresa teria sido utilizada para contratação de indicados da facção, manutenção de funcionários fantasmas e desvio de recursos públicos. O prejuízo estimado aos cofres públicos é de aproximadamente R$ 270 milhões.

Ainda conforme as apurações, os últimos quatro prefeitos da cidade passaram a ser investigados em operações relacionadas ao avanço do crime organizado e possíveis esquemas de corrupção.

Em nota, a empresa Lemon afirmou que emprega mais de 700 pessoas em Cabedelo, negou irregularidades e informou que segue colaborando com as investigações.

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