Jhony Bezerra afirma que João Azevêdo provocou rompimento, cita exoneração de aliados e reclama de não retorno à Secretaria de Saúde
Jhony Bezerra em entrevista à Rádio CBN João Pessoa - Foto: Reprodução

O rompimento entre o médico Jhony Bezerra (Avante) e a base do governador João Azevêdo (PSB) ganhou novos contornos nesta segunda-feira (9). Em entrevista à Rádio CBN, o ex-secretário de Estado da Saúde afirmou que não foi ele quem abandonou a base governista — e sim o próprio governador que teria provocado o afastamento político.

Segundo Jhony, o distanciamento político teria se intensificado após sua decisão de se filiar ao Avante e, posteriormente, ao se aproximar da pré-candidatura do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), ao Governo do Estado.

De acordo com Jhony, após sua movimentação partidária, aliados próximos teriam sido exonerados de cargos no governo estadual para dar espaço a indicações de outros integrantes da base política. Entre os exemplos citados pelo médico está a indicação de um familiar do presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Adriano Galdino, para a direção do Hospital de Trauma de Campina Grande, além de mudanças administrativas no Hospital de Clínicas da cidade.

“O cargo cabe ao governador, isso é natural. Mas o trabalho que fiz não foi levado em consideração. Quando tomei a decisão de ir para o Avante, que naquele momento caminhava para a base do governo, o governador não gostou e pediu o cargo da PB Saúde. Eu disse que continuaria votando nele, mas no dia seguinte meus aliados começaram a ser exonerados. Isso é rompimento. Quem rompeu comigo foi o governador”, declarou.

As tensões entre Jhony Bezerra e João Azevêdo teriam começado ainda após as eleições municipais de 2024 em Campina Grande. Na ocasião, o médico foi o candidato apoiado pelo governador na disputa pela prefeitura e alcançou mais de 98 mil votos, mas acabou derrotado no segundo turno.

Jhony afirma que havia um entendimento para que ele retornasse ao comando da Secretaria de Estado da Saúde após o pleito, o que não ocorreu.

Segundo o ex-secretário, o primeiro gesto político após o período eleitoral partiu do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, que o convidou para colaborar com a área da saúde na capital.

“Quando eu não voltei para a Secretaria de Saúde, Cícero foi a primeira pessoa a me dar a mão, me convidando para contribuir com a saúde de João Pessoa. A política é feita de gestos. Depois que comecei a sofrer perseguições, mesmo ainda estando na base, percebi que não era valorizado e tive que ter coragem de sair”, concluiu.

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