Operação desarticula rede de tráfico que atuava em quatro estados e expõe império milionário liderado por paraibano com ligação ao PCC
Líder da Orcrim era o paraibano, vulgo “Chocô”, preso em Hortolândia, São Paulo-SP - Fotos: Reprodução / Polícia Civil

A Polícia Civil da Paraíba, por meio da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO), deflagrou, na manhã desta quinta-feira (26), a Operação Argos, considerada o maior golpe já desferido contra o narcotráfico interestadual com atuação no estado. A ação, coordenada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO), resultou na desarticulação de uma organização criminosa apontada como a principal fornecedora de drogas para a Paraíba e regiões estratégicas do Sertão de Pernambuco e do Ceará.

A ofensiva mobilizou mais de 400 policiais civis e contou com o apoio do GAECO do Ministério Público da Paraíba, além de unidades especializadas como GOE, GOC, UNINTELPOL e delegacias de diversas regiões do estado. A operação também teve suporte de forças policiais de São Paulo, Bahia e Mato Grosso, evidenciando o caráter interestadual da organização criminosa.

O líder e a conexão com o PCC

As investigações apontam que o esquema era liderado por Jamilton Alves Franco, conhecido como “Chocô”, natural de Cajazeiras-PB. Segundo a Polícia Civil, ele ascendeu no crime após estabelecer conexões diretas com a cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC), conhecida como “Sintonia”, responsável por definir estratégias e operações da facção.

A partir dessa ligação, “Chocô” estruturou uma verdadeira “holding do crime”, tornando-se o principal hub de distribuição de cocaína e maconha para o Nordeste. O grupo acumulou grande poder financeiro, com padrão de vida luxuoso sustentado pelo tráfico de drogas.

Esquema milionário e atuação profissional

De acordo com a investigação, a organização criminosa movimentou cerca de R$ 500 milhões desde 2023, utilizando uma estrutura profissional dividida em núcleos logísticos, operacionais e financeiros.

O grupo utilizava transportadoras regulares para camuflar drogas em cargas lícitas, além de uma rede de distribuição que abastecia o varejo em diversas cidades da Paraíba. Já o núcleo financeiro operava um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro, com uso de empresas de fachada, “laranjas” e até infiltração em contratos públicos.

Entre os casos identificados, uma empresa recebeu quase R$ 3 milhões em recursos públicos, que teriam sido desviados para financiar o tráfico.

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Prejuízo superior a R$ 100 milhões

A operação é resultado de investigações iniciadas em 2023, após uma série de apreensões recordes de drogas no estado. Somente essas ações já causaram prejuízo superior a R$ 100 milhões à organização criminosa.

Entre os principais flagrantes estão:

  • Maio de 2023 (Patos): 150 kg de cocaína apreendidos, com prejuízo estimado em R$ 27 milhões
  • Junho de 2023 (Cajazeiras): 400 kg de drogas apreendidos
  • Outubro de 2023 (Conceição): apreensão recorde de 1 tonelada
  • Fevereiro de 2025 (São José de Piranhas): 80 kg de cocaína pura
  • Setembro de 2025 (Patos): 50 kg de entorpecentes

Mandados, bloqueios e bens de luxo

A Operação Argos cumpre mandados em 13 cidades de quatro estados brasileiros. Ao todo, foram expedidos:

  • 44 mandados de prisão preventiva
  • 45 mandados de busca e apreensão
  • Bloqueio de R$ 104,8 milhões em contas bancárias
  • Sequestro de 13 imóveis de luxo
  • Apreensão de 40 veículos, incluindo carros esportivos

Segundo a Polícia Civil, a ação conseguiu atingir o tripé que sustentava a organização criminosa: logística, distribuição e capital.

Significado da operação

O nome “Argos” faz referência ao personagem da mitologia grega Argos Panoptes, o gigante de cem olhos que nunca dormia, simbolizando a vigilância constante das forças de segurança.

Confira a prisão de Chocô: