Durante homilia em missa no Santuário Nacional de Aparecida, o padre Ferdinando Mancilio fez críticas à “caminhada pela liberdade” organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). A fala ocorreu no último dia 25 de janeiro, mas ganhou forte repercussão nas redes sociais neste fim de semana, após a circulação de vídeos do momento.
Sem citar o parlamentar nominalmente, o religioso questionou a coerência de lideranças políticas que se apresentam como defensoras da vida e da liberdade. “Não adianta querer fazer uma marcha para Brasília, alguém que nunca teve nenhum projeto a favor do povo e dizer que está defendendo a vida. Mentira, quer o poder”, afirmou, dirigindo-se aos fiéis durante a celebração.
A mobilização mencionada pelo padre percorreu mais de 200 quilômetros, com saída de Paracatu (MG) e chegada em Brasília (DF). Além de Nikolas Ferreira, o ato contou com a presença de parlamentares como Gustavo Gayer (PL-GO) e André Fernandes (PL-CE), além de prefeitos, vereadores e outros apoiadores ligados à direita.
Segundo os organizadores, um dos principais objetivos da caminhada foi defender pautas conservadoras e pedir a liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.
O último dia do trajeto foi marcado por um episódio grave: pelo menos 30 participantes foram atingidos por um raio durante o percurso e precisaram de atendimento hospitalar, alguns em estado grave. O caso também gerou ampla repercussão e levantou debates sobre as condições de segurança durante a mobilização.
A manifestação do padre reacende a discussão sobre a relação entre fé, política e uso de símbolos religiosos em atos de natureza partidária, tema que tem provocado reações diversas entre lideranças religiosas e políticas em todo o país.
